Paulo Franke

07 setembro, 2009

Os carros e eu (que carros mesmo?!...)


Afinal, este menino de 1 ano (?), com cabelo à la Beatle, que segura 1 carrinho enquanto olha 1 avião passar e levanta-o como se fosse 1 avião, quando crescer será 1 piloto de fórmula 1 ou 1 piloto comercial?? Nem 1 nem outro... tornou-se 1 condutor de pessoas para Deus.


Para meu pai, carros europeus eram superiores na lataria do que qualquer outro, assim estava satisfeito com o seu Austin A-40. Enquanto os parentes iam trocando os seus por modelos made in Brazil, da emergente indústria automobilística nacional, ele continuava com o seu pequeno Austin britânico.



Pois bem, enquanto vamos conversando sobre automóveis, transcrevo o artigo "Uma parábola moderna", de Muriel Larson, que publiquei quando era editor de uma publicação nossa. A ilustração mostra o escultor Fernandez Arman, que pode ser visto diante de seu "monumento": 60 carros velhos imprensados em 1.500 toneladas de concreto. A curiosa torre foi construída em dois meses e está situada em um centro de arte contemporânea no oeste de Paris (como a publicação é de 1983, fico em dúvida se a "obra de arte" ainda permanece).

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Uma parábola moderna

Era uma vez um lindo carro, um modelo esporte. E passo a contar a história de como este carro veio a existir. Parece que há muito tempo havia um pequeno pedaço de metal no pó. Certo dia este pedaço de metal cansou-se de ficar sozinho o dia inteiro. Então escorregou para junto de outros pedaços de metal e não é que se tornaram uma bateria? Portanto, tornou-se algo vivo e com muita faísca.

Continua...

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Eis o meu primeiro carro, um Morris-Austin nem me lembro de que ano, comprado quando vivíamos em um lugarejo no meio de uma ilha chamada Åland, província da Finlândia de língua sueca. De segunda-mão, era qual um cão fiel que nunca me deixava na mão. Enquanto carros modernos quando da chegada da neve precisavam ser ligados a uma tomada durante a noite fria para, aquecido o motor, funcionarem na manhã seguinte, o nosso "boa índole", como o chamávamos, nunca precisou disso, e funcionava assim que eu virava a chave de ignição.


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... Mas uma bateria sozinha não serve para nada. Então a bateria pensou e pensou e começou a formar um corpo para contê-la (supõe-se que teve um certo auxílio de elementos em tudo isso). Foram então acrescentados um motor, um radiador e outras partes. Após um tempo, o corpo desenvolveu pára-choques. Debaixo do corpo formaram-se os eixos.

continua...

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Então, em certa manhã de inverno fez 20 graus negativos na ilha. Quando liguei o leal "boa índole", ele simplesmente não respondeu - pifara a bateria... Senti naquele momento como ele me dizendo: "Bem, com uma temperatura dessas não tenho perdão?" Perdoei-o e, como não havia ônibus naquela hora da manhã, caminhei até o local de trabalho abrindo caminho na neve alta durante uma hora. Ah, nossa família tem muitas recordações do nosso primeiro automóvel cujas portas não trancavam e cuja chave se recusava a ser retirada - pra disfarçar, eu punha sobre ela uma luva. Mas quem o roubaria, afinal? Uma porque era um carro muito velho, e outra porque roubo de carros na ilha era algo desconhecido.


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Eis que, passados muitos anos, o final de cada eixo foi agraciado com uma roda. No princípio essas rodas eram apenas elementares, mas eis que se desenvolveram em lindas rodas de borracha (com excelentes bandas de rodagem!). Agora o carro movia-se de lugar para lugar, em grande estilo.

continua...

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SF = Suomi-Finland (Suomi, o nome do país em finlandês).


Um dia, antes de a neve cair naquele inverno de 1992, chegamos à conclusão de que o nosso "boa índole" não aguentaria mais um inverno e o vendemos bem barato. Alguns adolescentes com pouca grana o compraram para "fazer bagunça" com ele, o que ficamos sabendo penalizados. Assim comprei o meu segundo e último carro, na vida, um Toyota usado. Prateado como vimos muitos carros do Brasil, inteirinho e bonito, se bem que um pouco pequeno para a família, mas tudo bem.

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Um belo dia, encontrou uma fonte de gasolina ali perto e bebeu-a! Então, a bateria enviou uma faísca e - wroomm - lá se foi o carro... Ainda outras coisas foram acrescentadas ao longo dos anos: assentos (com cintos de seguranca), luzes (brancas e vermelhas) e uma sonora buzina! Finalmente podia exibir-se. E deviam ouvir o modo como buzinava aos outros carros que também passaram a existir!

continua...


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Em 1985, quando fomos trabalhar no Exército de Salvação dos Estados Unidos, foi-nos dado para dirigir um lindo Chevrolet quase 0km. Que satisfação sair pelas autoestradas americanas dirigindo um carro daquele tipo, principalmente para minha mulher que gostava de carros automáticos! Olhem o meu olhar de satisfação naquele outono, encostado ao Station Wagon de cor azul! Tínhamos também uma van com a qual transportávamos crianças e velhinhos da comunidade para as nossas diferentes atividades.


Sem o know-how de neve que tenho hoje, acordar e ver pela janela os carros cobertos de neve significava uma mão-de-obra para limpá-los antes de sair para o trabalho.

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Bem, esta é a forma pela qual este carro esporte acreditou que veio a existir. Mas existe alguém chamado homem que tem uma história um tanto semelhante de como veio a existir. Ele acredita que evoluiu de um pequeno pedaço de matéria.

Continua...


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Meu rosto sério, na foto tirada no mesmo dia, mostra que o exame escrito para obter a carta de habilitação americana não considerei muito fácil... Mas a obtive, felizmente. Não possuo nenhuma carta vencida do longo tempo em que dirigi no Brasil, pois cada uma foi retida como de praxe quando a nova é expedida, inclusive minha última aqui na Finlândia. A atual, finlandesa, do ano de 2000, é válida até o ano de 2013. Por não termos veículo no presente local de trabalho, andamos de bicicleta, um excelente exercício! Foram-se os carros, mas continuam as rodas...

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Mas existe Alguém chamado de O Deus Eterno que criou o homem. Felizes os que têm conviccão de que foram criados por Ele! Algo como achar que o carro é ridículo em imaginar que uma invenção tão complexa quanto o automóvel poderia ter vindo a existir por si mesma.

Continua...

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Dirigi no Brasil muitas Kombis, em Portugal uma "carrinha" como eles chamam. Quando trabalhamos na cidade finlandesa de Vaasa, dirigíamos, tanto Anneli como eu, uma grande van Fiat . Com ela transportávamos pessoas idosas regularmente e também a enchíamos de mantimentos para os pobres no dia anterior ao da distribuição. Larga experiência de chauffeur!

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Parece que qualquer pessoa com bom-senso pode ver qual é a verdade. Você tem dúvidas de que foi o homem que inventou o carro? Então, como pode duvidar ter sido Deus o real Criador do homem?


The End


(ou... um novo início para você no caminho glorioso da fé?)


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Nosso neto, viajando para Portugal, faz escala no aeroporto de Copenhagen e posa diante de um Porsche. Ao lado na exposicão, uma Ferrari vermelha (agosto 2009).


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Imaginem, os profetas antigos já profetizavam acerca de automóveis! Veja isto: "Os carros passam furiosamente pelas ruas, e se cruzam velozes pelas praças; parecem tochas, correm como relâmpago." (Naum 2.4)


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Dois carros do estacionamento do nosso prédio em cores modernas; o primeiro, embora a foto não mostre a cor real, é um Volkswagen bege muito claro.


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Um sábio conselho de pára-choque de caminhão:

"Seja paciente na estrada para não ser paciente no hospital"


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Anúncio de carros novos e usados do jornal de hoje. Ainda que existam muitos carros com as cores do momento, isto é, preta e prateada como no Brasil, a frota finlandesa é diversificada em suas cores, como marrom-caramelo, verde-musgo, azul celeste etc., talvez para quebrar a monotonia do longo inverno branco.


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E pra finalizar, um carro que fotografei na Universal Studios e que me lembrou vagamente de um dos carros que meu avô tivera.


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Próxima postagem:


A Ilha de Alcatraz, em São Francisco-CA.


A Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

6 Comments:

  • Um post bem ao meu gosto hein ? rs
    Desde pequeno já adorava meus carrinhos, gostava de desenhar quase todos dias algum modelo (imaginava até ser um projetista rs), mas ficou só na imaginação. Pelo Exército quantas Kombis não dirigi ? Meu primeiro carro, um Fusca amarelo equipado lá no meu querido Rio quanta saudade e o Rodrigo e a turma de Niterói que também deve se lembrar -rs-
    Depois tive Gol, Tempra Turbo (veloz) e Gol de novo, agora estou a ver um outro.
    Legal saber seu histórico de carros, meu pai não ligava muito para o carro pessoal (mas teve alguns sim) pois no Exército tinhamos disponível, Lembrome da Variant 75 valente que não me esqueço na mina época de infância-adolescência. Carros sempre tem sua história e nos marcam de alguma forma !!!
    Parabéns pelos textos bem encaixados !
    Abçs
    Cláudio Humberto

    By Blogger Claudio, at quinta-feira, setembro 10, 2009 11:16:00 PM  

  • Olá Sr. Paulo...
    Sua postagem me remeteu a infância. A lembrança da expectativa que senti quando meu pai foi buscar nosso primeiro carro. Qual? Um Fusquinha! Fantasticamente lindo e cheirando a novo. Era zero! Não nos pareceu pequeno por que todos nos assim éramos. Depois de muito viajar e se aventurar em atoleiros, papai resolveu que merecia algo maior. Pegou um lançamento no Brasil. Ford Corcel! Qual não foi nossa surpresa ao ver um carro laranja entrar pelo portão do casarão. Chocado e paralisados, assim ficamos! Saudade de uma época que foi parte de um crescimento.
    Long Term Parking, a obra de arte do senhor Arman continua lá sim....está no Parque de Esculturas de Le Montcel, Jouy-en-Josas, França. Muito bonita e significativa! Espetáculo!!!
    Muito bom lembrar e sempre que entro no seu blog é assim, muito bom voltar ou recomemorar!
    Agora os carros são dos filhos e netos... Coisas modernas e como o senhor disse pouco colorido!
    Amei, caro Sr. Paulo. O que encontro no seu blog, são passagens de minha vida que me dão muita saudade e o eterno agradecimento ao Criador por tê-los vivido!!!
    Muito obrigada por isso, por trazer sempre esse sentimento tão gostoso de volta!
    Um grande abraço
    Maria

    By Anonymous Anônimo, at sexta-feira, setembro 11, 2009 3:49:00 PM  

  • João:
    Li sua nova postagem.. "Os carros e eu" hehe, muito boa! O primeiro carro 0km que eu presenciei a compra foi ano passado quando o meu pai comprou um Fiesta, ele me deu o seu Ford Corcel Luxo 1971 que o pertenceu durante mais de 10 anos, por enquanto... Ele esta aposentado na garagem e empoeirado (ainda em boas condições de uso) só estou esperando os meus 18 anos chegar para tirá-lo de lá e mandar restaurar, alem do nosso xodó um Opala Diplomata 6cc ano 90 hehe (tem as fotos deles no meu album) gosto muito de carros, tanto antigos como novos =D
    Abraço !

    By Blogger paulofranke, at domingo, setembro 13, 2009 8:20:00 AM  

  • Legal, mesmo! E linda a foto do boa-indole! Por que foram vende-lo? Ele era tao bom!

    Beijos, pai!

    Martta

    By Anonymous Anônimo, at quarta-feira, setembro 16, 2009 12:19:00 AM  

  • Boa noite, adorei....apesar de ser mulher amo carros,e adoro ao meu Deus,identifique-me completamente e emocionou saber que pessoas inteligentes e cultas valorizam os opostos:carro e Deus.Será que é opostos? são criações...obrigado pelo seu blog e parabéns,quero voltar....

    By Blogger Jane, at quarta-feira, outubro 07, 2009 2:10:00 AM  

  • Oi Franke,

    Só hoje fui ler teu post sobre carros. Na verdade comecei pela "Ilha do Diabo". Sou muiot fã daquele filme, uma das melhores atuações do Dustin, pra mim um dos melhores atores de Hollywood.
    Muito boa a comparação da criação do carro pelo homem c/ a criação do homem por Deus.
    Sobre as cores, Rosinha deu uma explicação bem lógica : como aí neva muito, os carros tem que ser bem coloridos pra aparecerem e evitar acidentes ! Ela tb gosta de carros com cores fortes, principalmente vermelho.
    Nosso proximo ( talvez um novo Sandero Step Way) ela já disse que será dessa cor.
    Mais uma vez, parabéns pelas postagens super criativas.

    By Blogger Francisco, at sábado, outubro 10, 2009 5:13:00 AM  

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