Parte 33 - Casos Curiosos - Sotaques do Brasil - diversos
Parte 1
Inicialmente, meus agradecimentos à Mega Curioso,
da qual extraí a primeira parte desta postagem.
Sotaques do Brasil:
conheça a origem
desses 5 modos
de falar
Todos sabemos que o Brasil é um país
de proporções continentais,formado por
gente vinda de vários lugares: os indígenas
nativos, as pessoas escravizadas vindas da
África e os imigrantes europeus, por exemplo,
são só alguns deles. Este "caldo" certamente
influenciou a formação dos diferentes
sotaques na população, que foram sendo
criados e perpetuados a partir destas influências
fonéticas.Os sotaques costumam
considerar três fatores: a população
nativa do local, os povos que migraram
para lá e como as migrações
influenciaram a forma com que as
pessoas falam. Ao nos referir
aos sotaques, pensamos em maneiras
diferentes de cadenciar as palavras, a
formação de novos termos e fonemas e
a consolidação de expressões locais.
Se você tem curiosidade em saber
como os sotaques do Brasil foram
formados, este é o texto para você.
1. O sotaque caipira
Fonte: Acervo Pinacoteca Estãdo SPaulo
O jeito entendido como mais "caipira",
enfatizando o R retroflexo (aquela
pronúncia do "porrrrta"), é mais típico
no interior de São Paulo, Paraná,
Mato Grosso, Minas Gerais e
Santa Catarina.
Uma das influências desse modo de
falar nasce na dificuldade que os
indígenas tinham parapronunciar o R.
O mesmo acontecia com outros fonemas.
Os dialetos indígenas não conheciam
apenas o som do F, do L e do R,
mas também do "LH". Por isso, tiveram
muita dificuldade em reproduzir esses sons.
Foi por essa razão que "palha" virou "paia" e
"falha" virou "faia".
O choque entre a fala indígena e dos
imigrantes portugueses permanece até
hoje, e existe gente que ainda troca o
L pelo R – dizendo, por exemplo,
"farta" ao invés de "falta",
e "frecha" ao invés de "flecha".
2. O impacto das migrações
no sotaque paulista
(Fonte: Supla/Youtube)
No fim do século XIX, São Paulo abriu
as portas para os imigrantes. Mais de
1,5 milhão de italianos chegaram
na cidade e ajudaram a construir o
sotaque paulista. Bairros como Mooca,
Brás e Bixiga, com forte presença
desta população, criaram um sotaque
carregado e com um R mais vibrante.
3. O "chiado" do Rio de Janeiro
(Fonte: Walt Disney/Divulgação)
Já no Rio de Janeiro, o R e o S foram
apropriados de forma diferente. E a razão
disso tem a ver com a chegada da corte
portuguesa para o Brasil em 1808.
Neste ano, 15 mil portugueses vieram
para o Rio junto da corte de Dom João VI,
ajudando a definir o jeito que o carioca fala.
Na época, era moda pronunciar o R
da mesma forma que os franceses faziam,
como se o som saísse do fundo da garganta.
Assim, a nobreza ostentava esse
sotaque que enfatizava o R e fazia
o S soar próximo ao SH ou X (falando
"Lishboa" ao invés de "Lisboa").
4. O sotaque do "leite quente
dá dor no dente"
(Fonte: Gabriela Carsten
Galliano Gabriela/
Carsten Galliano/Medium)
A mescla entre diferentes culturas
também ajudou a formar um sotaque bem
reconhecido: aquele que enfatiza o E no fim das
palavras. É o caso do sotaque de Curitiba
e de parte dos paranaenses, que separam
bem as sílabas e destacam este E final.
Isto aconteceu por questões geográficas.
Curitiba, por exemplo, era um intenso
polo de atração de imigrantes no século XIX.
Havia na cidade populações indígenas,
pessoas escravizadas, imigrantes
italianos, ucranianos e poloneses,
além do local ser rota de passagem
para os tropeiros. Como os ucranianos
e poloneses tinham poucas vogais
em suas palavras, os imigrantes
começaram a forçar a
pronúncia de letras como o E
para poderem ser entendidos.
5. Influências europeias e
africanas no Nordeste
(Fonte: Instagram/Reprodução)
O sotaque de Recife foca bastante
na pronúncia do R, lembrando o uso das
línguas germânicas. Isto é uma heranca das
invasões holandesas na cidade no século XVII.
Mais liberal que a colonização portuguesa,
o tempo de regência da Holanda em
Pernambuco durou 25 anos, mas deixou
fortes marcas culturais – com ênfase na
abertura para o conhecimento e
a liberdade religiosa.
Outro elemento histórico que influenciou
fortemente os sotaques foi o ciclo do açúcar
no Brasil no século XVI. Os engenhos,
muitos deles situados em estados do
Nordeste, levaram uma grande população
de africanos escravizados para estes locais.
Eles carregaram consigo sua rica bagagem
cultural, o que ajudou a formar os sotaques
nos lugaresonde estavam.
- aipim = mandioca.
- atucanado = atrapalhado, com muitos
- problemas.
- bah = expressão de vasta utilização
- em distintos
- momentos, podendo ser usada para
- expressar
- diferentes sentimentos ou impressões,
- como surpresa,
- descontentamento, aflição ou mesmo
- pilhéria.
- baita = grande.
- bergamota = tangerina
- bolicho = boteco.
- borracho = bêbado.
- brigadiano = policial da Brigada
- (Polícia) Militar
- cacetinho = pão francês
- chapa = radiografia ou dentadura
- colorado = torcedor do Internacional
- melena = cabelo
- negrinho = brigadeiro
- patente = vaso sanitário
- pechada = batida, trombada
- (entre automóveis)
- peleia = briga
- piá = guri, menino
- pila = palavra regional que dá
- nome a moeda
- nacional (ex: 10 pila, 25 pila, sempre
- no singular)
- prenda = mulher do gaúcho
- quebra-molas = lombada
- sestear = dormir depois do almoço
- sinaleira = semáforo
- tchê = Saudação gaúcha derivada
- da palavra “che”,
- que em tupi-guarani significa “amigo”.
- Expressão de múltiplo uso, podendo
- ser empregada antes de
- frases, apenas para enfatizar,
- ou para chamar a
- atenção do interlocutor.
- tri = prefixo que significa muito
- (ex: trilegal, tribonita)
- xis = espécie de hambúrguer consumido
- no Rio Grande do Sul, que se diferencia
- do lanche tradicional por apresentar
- vários ingredientes, tudo dentro de
- um pão de maior diâmetro,
- comparado ao do
- hambúrguer tradicional, e prensado.
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