Paulo Franke

26 junho, 2021

ReveR - Visita ao Museu YAD VASHEM em Jerusalém

 




65 anos do fim da

Segunda Guerra Mundial






O guia do visitante, que recebemos ao adentrar o Museu YAD VASHEM, em Jerusalém, com ingresso livre.


Yad Vashem - A lembrança dos mártires e heróis do Holocausto.



"... darei na minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome


(um YAD VASHEM*)...


que nunca se apagará."


(Isaías 56.5)

Um memorial e um nome àqueles aos quais não foi dada a dignidade de um sepultamento judaico, ou de nenhum sepultamento, o caso de milhões de pessoas.


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Em 2009 estive em Yad Vashem- que foi fundado em 1953 - porém na ocasião só tive uma hora para visitar um museu que pode levar-nos mais do que um dia para visitá-lo devidamente, ou quem sabe uma semana. Esta foi uma das razões de ter voltado este ano a Jerusalém (tomando-se o bus 20), onde está situado o museu, por cuja nova oportunidade agradeço a Deus!




A entrada de Yad Vashem.



"Eu colocarei meu espírito em vós, e revivereis, e vos colocarei em vossa terra"

(Ezequiel 37:14)






Duas fotos que tirei de mim mesmo quando por ocasião da primeira visita. Não havia entrado no museu ainda, daí o rosto de satisfação... Pouco a pouco, no entanto, o semblante vai caindo ao ver tanta crueldade pela qual o povo de Deus passou.


(Prepare-se amigo leitor, pois esta é uma postagem forte!!)




... Tem isso acontecido nos teus dias ou nos dias de teus pais? Conta isso a teus filhos, e faze com que eles contem aos seus filhos, e os filhos deles à geração seguinte!


O pavilhão de exposições - que incluem filmes, videos, fotos, artefatos religiosos ou pessoais, além de objetos ou documentos, os mais variados - foi construído em forma de ziguezague, para dar andamento ao fluxo imenso de visitantes, grupos de estudantes, de soldados, de turistas do mundo inteiro, muitos deles judeus de outras nações, ou de indivíduos, o meu caso. Na primeira vala, livros que foram de judeus, nas seguintes sapatos, malas, óculos etc.





O impressionante "Hall dos Nomes(The Hall of Names) em forma de chaminé. O museu tem o registro dos nomes da maioria dos seis milhões que morreram no Holocausto, recorrendo a parentes das vítimas, antes que seja tarde demais, para obter os que faltam.




A entrada da "Avenida dos Justos entre as Nações(Avenue of the Righteous among the Nations), onde árvores foram e têm sido plantadas em homenagem a não-judeus que, arriscando suas vidas, protegeram judeus do diabólico nazismo alemão. À portaria do museu, podemos procurar nomes dos homenageados com uma árvore para poder localizá-los no grande jardim. Infelizmente, esqueci-me de alguns nomes para fotografar suas plaquetas.




Os primeiros nomes, com árvores de troncos já espessos, são os do sueco Raoul Wallenberg e da polonesa Irena Sendler (veja no link, ao final desta postagem, o que tenho escrito sobre cada um neste blog).



Os holandeses Corrie ten Boom, seu pai Casper e sua irmã Elisabeth, e sua arvorezinha, que fiz questão de fotografar. (Veja a história da heróica família através do link abaixo).





Uma das primeiras árvores do jardim é a que homenageia Oskar Schindler.




"Hall da Lembrança" (Hall of Remembrance) onde, no chão, estão inscritos os nomes de 22 das centenas de campos de concentração, campos de extermínio e outros do gênero que existiam através da Europa. Uma chama permanente arde na cripta que contém cinzas de vítimas trazidas a Israel de alguns desses campos. Na foto destaco Auschwitz-Birkenau, na Polônia, que visitei no ano 2001 (veja link).





... e o de Bergen-Belsen, na Alemanha, onde morreram Anne Frank e sua irmã Margot, que visitei em 2008 (veja também o link, e na postagem respectiva a sepultura simbólica das duas irmãs).





Treblinka e Sobibor, que tenho planos de visitar futuramente.





"Vale das Comunidades" (Valley of the Communities). Não desci a este vale no qual há blocos de pedra onde estão gravados os nomes de 5.000 comunidades judaicas européias que foram dizimadas no Holocausto. Muitos parentes das vítimas localizam a cidade de seus antepassados que morreram cruelmente e têm momentos de muita emoção ao encontrá-la.





"Praça do Gueto de Varsóvia" (Warsaw Ghettto Square), onde há um monumento grandioso como foi o ato de coragem dos que resistiram até o fim, conforme o livro de Leon Uris, "Mila 18", cuja leitura aconselho (veja link).




"Panorama dos Partisans" é um tributo aos lutadores judeus durante o Holocausto. Uma árvore, porque muitas vezes lutaram bravamente em florestas contra os nazistas. (Observe que pessoas constituem as suas folhas).



Procurei uma placa mas não encontrei, porém imagino ser uma réplica da escultura que pode ser encontrada no campo de concentração de Dachau, na Alemanha.




Com o coração pesado por ter visto tanto, faltava ainda mais: o "Memorial das Crianças" (Children's Memorial)... Abaixo destes pilares de pedra, representando crianças de todas as idades...




... há uma caverna cuja entrada é marcada por esta escultura em pedra, de um menino sorrindo...



No primeiro plano da caverna há fotos de vítimas crianças que conduz, através de um corrimão, ao segundo plano, um local totalmente escuro, com pequenas luzinhas representando estrelas, como que um céu estrelado. Nenhum som, a não ser o de uma voz lendo, um por um, os nomes de milhões de crianças assassinadas barbaramente pelos nazistas, suas idades e países. de origem.





E a somente alguns passos da caverna, a "Praça Janusz Korczak" (Janusz Korczak Square), um tributo ao judeu-polonês que dirigia um orfanato no gueto de Varsóvia. Não obstante o seu esforço de salvar aproximadamente 200 crianças sob os seus cuidados, foram juntamente com ele enviadas ao campo de concentração de Treblinka, em 5 de agosto de 1942. Tendo dirigido dois orfanatos do Exército de Salvação, estar ali e saber do que lhes aconteceu foi um momento carregado de emoção para mim.




Escrito na parede de um dos vagões que transportava judeus para campos de concentração, e gravado em cimento: "... eu sou Eva com meu filho Abel se você encontrar meu filho mais velho Cain filho de Adão conte a ele que eu"...



Eu estava agora diante do "Vagão de Gado - Memorial aos Deportados" (The Cattle Car - Memorial to the Deportees), lembrando os milhões que foram transportados quais animais por toda a Europa em direção aos diferentes campos de extermínio. O vagão da Alemanha foi doado ao museu por autoridades polonesas.






Durante toda a visita a Yad Vashem usei o meu kipá, em reverência.




Escrito por uma sobrevivente de Auschwitz: "Podemos ver luzes através das janelas trancadas do vagão... as árvores... ouvimos trovões... apitos do trem. E dentro do vagão agora vejo na penumbra pessoas, todas esperando e dormindo, tudo quieto. São meus familiares, e recebemos força uns dos outros. Mas ao mesmo tempo eu sei que isso significa separação... Estou certa de que muitos deles perecerão. É madrugada... Minha mãe está segurando a minha mão. Este é o seu adeus." (resumido)



O desenho é de uma sobrevivente judia nascida em Berlim, que enfrentou 17 meses em Auschwitz-Birkenau. Foi liberada em maio de 1945, aos 17 anos de idade. Sua experiência foi perpetuada através de 93 desenhos.




"E todo o dia e toda a noite a fumaça das chaminés, alimentadas com o combustível de todas as partes da Europa" (Charlotte Delbo)





A capa deste livro intitulado "Conte para os seus filhos" mostra um grupo de judeus-húngaros, sem o saberem, esperando a sua vez de entrar na câmera de gas de Auschwitz. Tudo o que restou dessas pessoas foi esta fotografia. (Os desenhos e alguns textos últimos foram extraídos do livro, adquirido no Museu do Holocausto, em Estocolmo, Suécia - veja link)





A última fotografias que tirei em Yad Vashem.
Quando mais tarde olhando cada uma, veio-me a supresa: as duas árvores, do ângulo que tirei a foto, formam um coração, o que faz lembrar-me do significado literal da palavra misericórdia = ver a miséria alheia com o coração. Amém.





O cemitério luterano no Monte Sião (Mount Zion).




Um menino, a quem dei algumas moedas, conduziu-me à mais famosa sepultura: a de Oskar Schindler.





Por que colocar pedras em túmulos? É um costume judeu que Oskar Schindler merece continuamente por ter salvo mais de mil pessoas, empregando-as em sua fábrica na Cracóvia (link). O costume é um sinal de que o túmulo foi visitado. Por outro lado, a pedra lembra-nos Deus, a Rocha de Israel, e que o amor é mais forte do que a morte. É também um sinal de que a memória daquela pessoa é tão permanente quanto uma rocha.




Tamanho da fonte

POR TODA A EUROPA placas metálicas de 10cm estão sendo implantadas em calçadas e têm sido chamadas de "pedras de tropeço" (stolpersteine). Cada placa lembra uma vítima do Holocausto cuja casa foi confiscada pelos nazistas. Gunter Demning, o criador das placas, falou à National Geographic: "Você pode abrir um livro e ler sobre os seis milhões de judeus que foram mortos pelos nazistas, junto com cinco milhões de outros, mas mesmo assim você talvez não chegue a compreender a extensão da tragédia. Mas se pensar em um homem ou em uma mulher e suas famílias que viveram naquela casa específica, é algo muito diferente. As placas dão a sua mensagem pessoal." (Fonte: The War Cry)



C o n c l u i n d o...


I
Só entenderemos devidamente Israel, seu patriotismo fervoroso e seu anseio por sobrevivência em meio a nações inimigas - que o faz investir fortunas em sua defesa - se tivermos visitado um campo de concentração ou mesmo um museu completo como o Yad Vashem, é a minha opinião. Entristeço-me ao saber de alguns cristãos, que carregam uma Bíblia, constituída de Antigo e Novo Testamentos, que não simpatizam com a nação. Não emprego aqui a palavra antisemita, pois não creio que um cristão, herdeiro da fé que nos foi dada através dos judeus, possa assim ser chamado, uma contradição gritante! Aplaudo o cristão que ama Israel e ora por Jerusalém, como aconselha a Escritura Sagrada. No mês de setembro há a Festa dos Tabernáculos em Israel, e fiquei feliz em saber que os países que mais enviam representantes para essa grande festa são, em primeiro lugar o Brasil e em segundo a Finlândia, país onde vivemos há 11 anos..

II

O escritor e estadista inglês Edmund Burke disse que para que o mal triunfe só é necessário que os homens bons nada façam, com o que todos concordamos.
Deixo aqui, portanto, mais esta postagem sobre o Holocausto no meu blog, simples mas que considero importante no sentido de homenagear e alertar. E com isso uno-me ao batalhão de pregoeiros pelo mundo afora que têm a sublime missão intitulada:

Holocausto, nunca mais!




L I N K S
"Jerusalém de Ouro"

Conforme cantada na cena final do filme "A Lista de Schindler", de Steven Spielberg, vencedor de 7 Oscars:




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Procure no




mais informações sobre Yad Vashem através de diversos videos.

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Minhas postagens sobre o HOLOCAUSTO:


É só clicar na que o/a interessar :


http://paulofranke.blogspot.com/2009/05/minhas-postagens-sobre-o-holocausto.html


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