Paulo Franke

19 janeiro, 2009

Um Sermão do Pr. Martin Luther King








Batida à meia-noite
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Pastor Martin Luther King Junior
1929 - 1968




"Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho a lhe oferecer... " Lucas 11:5-6

Apesar de tratar-se nesta parábola do poder da oracão perseverante, ela pode servir de base para refletir sobre os muitos problemas do tempo atual e a parte que toca à Igreja na aclaracão deles. É meia-noite na parábola; é meia-noite também no mundo, e a escuridão é tão profunda que quase não vemos a direcão que devemos tomar.

É meia-noite com relacão à sociedade.

Em um plano internacional vemos os povos empenhados em luta gigantesca e exasperada pela supremacia do poder. Duas guerras mundiais tiveram lugar em uma geracão e as nuvens de uma terceira pairam ameacadoramente baixas. O homem possui agora armas atômicas e nucleares que, em poucos segundos, podem arrasar totalmente as maiores cidades do mundo. No entanto, a rivalidade nos preparativos bélicos continua, e experiências com bombas atômicas ainda são realizadas na atmosfera, com a perspectiva sombria de ver envenenado, pela radioatividade, o ar que respiramos. Será que essas condicões e essas armas poderão causar a destruicão da raca humana?


A meia-noite exterior da vida do homem em sociedade tem relacão com a meia-noite em sua vida interior pessoal.


É a meia-noite com repeito à psicologia.


Durante o dia e a noite, em todo o lugar, os homens são perseguidos por um medo paralizante. Grandes nuvens de pavor e desânimo obscurecem o nosso céu espiritual. Atualmente mais pessoas têm perdido o seu equilíbrio espiritual do que em qualquer época do que em qualquer época da história humana. As salas psiquiátricas dos nossos hospitais estão superlotadas e os psicólogos mais procurados são os psicanalíticos.


É meia-noite também com relacão à moral.


À meia-noite as cores perdem sua distincão e tornam-se cinzentas. Os princípios morais perderam sua característica. O homem moderno considera absolutamente certo e errado o que a maioria faz. O certo e o errado depende das inclinacões e hábitos das comunidades em particular. Sem o saber estamos empregando, no campo moral e ético, a teoria da relatividade de Einstein que descreve claramente o universo físico.


À meia-noite é a hora na qual o homem procura desesperadamente observar o décimo-primeiro mandamento: "Não te deixes apanhar". Segundo a moral da meia-noite, o pecado capital é ser apanhado e a virtude capital, escapar. Julga-se perfeitamente lícito mentir, contanto que seja com "classe". É perfeitamente normal roubar, contanto que seja feito de maneira tal que a acusacão, caso for apanhada na falsificacão, não seja classificada como sendo roubo. Até é admissível odiar, contanto que o ódio seja cercado com o manto do amor, fazendo crer que o ódio é amor. A doutrina de Darwin, da sobrevivëncia dos mais fortes, foi melhorada com a filosofia dos astutos. Esta maneira de pensar foi a causa do desmoronamento trágico dos valores morais, e a meia-noite do fim da moral está sempre perto.


Como na parábola, assim a densa escuridão da meia-noite em nosso mundo é interrompida pelo ruído de uma batida.


Milhões de pessoas batem na porta das igrejas. Sentem elas que a Igreja ainda tem a resposta à confusäo que as cerca na vida. Ela continua sendo o lugar para o qual o viajante cansado alcanca à meia-noite. Ela é a casa, edificada no lugar onde sempre esteve, a casa à qual o viajante vem, ou se abstém de vir, à meia-noite. Alguns resolvem não vir. Mas as multidões que chegam e batem, procuram desesperadamente uma pequena chance para se manterem flutuando por cima da água.


Quando o homem da parábola bateu à porta do seu amigo, pedindo três pães, recebeu a resposta impaciente: "Não me importunes: a porta já está fechada e os meus filhos comigo também já estão deitados, não posso levantar-me para tos dar." Quantas vezes os homens têm tido desapontamentos semelhantes ao baterem na porta da Igreja à meia-noite!


Na parábola vemos que o homem, apesar do seu desapontamento inicial, nâo parou de bater à porta do amigo. Pela sua insistência e obstinacão ele conseguiu que seu amigo finalmente lhe abrisse a porta. Muita gente continua batendo na porta da igreja, à meia-noite, por saber que lá encontra o Pão da Vida. A Igreja tem o dever de anunciar o Filho de Deus, Jesus Cristo, como a esperanca dos homens em todas as suas múltiplas necessidades pessoais e sociais.



Muitos virão para obter uma resposta aos seus problemas da vida. Muitos jovens que batem à porta estão desorientados pelas incertezas da vida, confusos pelas decepcões diárias e indiferentes pelas várias interpretacões da história. Alguns dos que chegam foram afastados dos seus estudos ou empregos para servirem à pátria. Devemos equipá-los com o pâo fresquinho da esperanca e enchê-los com a conviccão de que Deus tem o poder de tornar o mal em bem. Outros que vêm, estão possuídos de um senso de culpa que tem origem nas suas andancas pela meia-noite do relativismo ético e na doutrina da auto-realizacão. É nosso dever conduzi-los a Cristo que lhes oferece o pão do perdão. Ainda outros que chegam são atormentados pelo medo da morte, ao se aproximarem do ocaso da vida. Devemos oferecer-lhes o pão da fé na imortalidade, a fim de que reconhecam que a vida terrena é apenas uma introducão imperfeita para um novo despertar.

A meia-noite é uma hora inquietante na qual se torna muito difícil ser cristão verdadeiro.


A palavra melhor que a Igreja pode pronunciar é que a meia-noite não durará para sempre. O viajante cansado que à meia-noite vem pedir pão, anseia realmente pelo amanhecer do dia. Nossa mensagem eterna de esperanca é que o dia amanhecerá por certo.


A fé do amanhecer vem da crenca de que Deus é bom e justo. Quem assim crê, sabe que as contradicões da vida não são nem determinantes e nem finais. Ele pode atravessar a escuridão da noite com a certeza de que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus. Até mesmo uma meia-noite sem estrelas pode prenunciar o amanhecer de uma grande realizacão. Amém.


- transcrito de "Brado de Guerra - contra todo o mal" - 1983 -



No Capitólio, em cujo lado oeste está o National Mall onde acontece a posse dos presidentes americanos. No ano da foto, Ronald Reagan era o presidente.




Uma tentativa minha, aos 13 anos, de desenhar Lincoln.

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Jesus Cristo, a única esperança do mundo.


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Próxima postagem


Mini-textos de maxi-significados 5

3 Comments:

  • Muito linda, relevante e profunda a mensagem de Martin Luther King - falou muito ao meu coraco. Obrigada pai!

    a filha Martta

    By Anonymous Anônimo, at terça-feira, janeiro 20, 2009 3:38:00 PM  

  • Palavras sábias e de puro ensinamento as de Martin Luther King,linda postagem...bem feita e que fala muito aos corações...
    Principalmente num dia de tão importância ao mundo ...e não só aos Estados Unidos,que Obama possa levar as suas ações práticas um testemunho de vida baseado na história desse homem que foi tão citado por ele...!
    Paulo lindas fotos de família e adorei seu desenho, e para minha vida meu amigo levo essas sábias palavras:
    Até mesmo uma meia-noite sem estrelas pode prenunciar o amanhecer de uma grande realizacão. Amém.

    Obrigado amigo!

    By Anonymous evelize, at quarta-feira, janeiro 21, 2009 5:18:00 AM  

  • amado franke paz
    parabens pela postagem de tao gde msg, deste que foi um ícone na luta pela igualdade social, não somente isso; mas um grande homem de Deus, que viveu o Evangelho plenamente.
    Obrigado , estarei citandos eu blog em meu blog.
    Shalom

    By Blogger mentoria, at segunda-feira, fevereiro 09, 2009 7:06:00 PM  

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