Paulo Franke

25 maio, 2008

O Renascer de uma Banda de Metais



Quem viu e ouviu os músicos da banda da Coréia naquele congresso internacional de 1978, em Londres, jamais imaginaria que aquele grupo de adolescentes ruidosos, que irradiava tanta alegria, representava uma outra banda de seu país, uma banda que silenciou para sempre no início dos anos 50.
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Um ex-missionário salvacionista conta: "Os sete anos em que servi no Lar (orfanato) foram uma experiência muito feliz. Apesar de ser solteiro na época, eu via os meninos como se fossem meus próprios filhos. Quando em 1937 meu período missionário terminou, comecei a viagem de seis semanas e meia para o meu país, a Inglaterra. Havia poucos olhos secos e eu, pessoalmente, derramei muitas lágrimas por deixar os meus 'filhos'.
O som da banda do Lar de Meninos, naquela manhã de inverno na estacão ferroviária de Seul, sob a regência do novo mestre-de-banda, Chin Marn Song, permanecerá comigo enquanto eu viver. Marn havia entrado no Lar com bem pouca idade, e tinha esforçado-se bastante na escola, em algumas oficinas de trabalho manuais e também como músico. Ele se tornou professor na nossa escola durante o fim de minha estada, mas a sua paciência e competência como professor de teoria musical para um bando de meninos ex-mendigos permanecerão como a base maior de seu sucesso."
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Um filme produzido pelo Exército de Salvação e intitulado "Sangue de Mártir" conta a trágica história do que aconteceu à Banda do Lar de Meninos de Seul na guerra de 1950-1953. Em uma visita inesperada ao orfanato, os componentes usando o uniforme salvacionista e carregando seus intrumentos foram enfileirados no pátio do Lar e obrigados a marchar para a fronteira do norte, e nunca mais se teve qualquer notícia desse grupo musical que fora ensinado a tocar louvores a Deus.
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O ano de 1950 foi um tempo de grande perseguição para os salvacionistas e demais cristãos da Coréia, época em que enfrentaram grande confusão e sofrimento. Um dos oficiais (pastores) tornou-se mártir por sua fé. Dirigindo o Corpo de Chinju quando as forças invasoras tomaram a cidade, o Major Noh Yung Soo, um respeitado servo de Deus naquela comunidade, foi arrastado, forçado a marchar pela cidade e, sob a mira de armas, desafiado a renunciar à sua fé. Segurando a Bíblia em uma mão e o hinário salvacionista em outra, recusou-se a obedecer. "Que eu morra ou viva, isso não importa; o importante é que Cristo vive!", gritou. Tiros foram disparados e os soldados inimigos o deixaram estendido ao chão. Foi o momento solene de sua "promoção à glória", termo que os salvacionistas do mundo inteiro usam para os seus irmãos que partem desta vida.
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Voltando à banda, pela dificuldade na obtenção de instrumentos poderia-se pensar que aquele grupo musical fora coisa do passado, mas não foi assim! De alguma forma foi possível adquirir-se instrumentos musicais, ainda que com muita dificuldade, as aulas de teoria musical do professor que fora ex-interno foram recomeçadas e a nova banda do Lar de Meninos de Seul renasceu!
Naquele congresso de 1978 em Londres, os meninos do Lar que faziam agora parte da banda foram ouvidos e veementemente aplaudidos em seus louvores. Sabendo da história trágica dos primórdios daquela banda de metais, pedi à minha esposa tirar-me uma foto ao lado de alguns de seus atuais componentes (nas fitas de nossos quépes o nome Exército de Salvação em português e em coreano). A então-menina que aparece conosco chama-se Luiza Fisk, filha de outro missionário inglês que Deus usou para trazer-me para o Exército de Salvação. Em ambos os países cresce o evangelho, no caso da Coréia com grande avivamento e movimentos de oração, típicos do espírito vibrante dos cristãos coreanos, forjado na severa prova da perseguição.

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