Londres 73 Londres 78 Londres 92 Londres 03
1978 - Participacão no Congresso Intl. dos 100 anos do nome The Salvation Army
1992 - Visita à sede inglesa da igreja americana Wesleyan Methodist Church
2003 - Participacão no Seminário Transcultural em Denmark Hill
Considero que gostar da Inglaterra, terra do fish-and-chips, é como comer peixe: come-se a carne do peixe e deixa-se as espinhas de lado, isto é, aprecia-se a sua rica cultura e sua belíssima paisagem e deixa-se de lado as espinhas historicamente falando. E com respeito às atuais ameacas ao cristianismo, antes forte no país, creio que devemos acionar em nossas igrejas o dispositivo da intercessão, pois muitos cristãos temos de certo modo nossas raízes espirituais naquela nacão, berco de importantes denominacões fortes inclusive no Brasil.
Para mim pessoalmente é impossível desassociar o país do Exército de Salvacão (The Salvation Army), onde ingressei no longínquo 1962. O leitor verá , então, muitas fotos e legendas de ambos, do país em si, que visitei por quatro vezes, e de nossa organizacão-igreja que foi fundada em Londres, em 1865, por William e Catherine Booth.
Esta postagem, portanto, às vezes séria, às vezes humorística, não é somente "pra inglês ver" ou somente para salvacionista ver, mas é para todos (for all, de onde se deriva a palavra "forró", sabia?)
E falar em forró, tomei em um hotel este chá-de-côco inglês, uma delícia que me fez guardar de lembranca o envelope!

Ela é dona também do chá, é isso?
Os chás acima rolam em nossas xícaras e mugs aqui na Finlândia também. Gaúcho que sou - que não toma chimarrão... - tomo "chá da Índia", como o chamávamos no sul; e lembrando exatamente o RS, somente quando está muito frio ou então quando percebo que uma gripe está chegando. Minha esposa, por outro lado, não toma café mas chá, hábito formado desde que viveu na Inglaterra quando bem jovem.

Meu pai, que não escondia sua grande admiracão pela Inglaterra, comprou um Austin A-40, made in England, e vivia elogiando a lataria européia, muito superior segundo ele à dos carros nacionais que comecavam a ser fabricados. Parentes iam trocando seus carros europeus por modelos nacionais modernos, mas meu pai, conservador, continuava com o seu Austin. Até hoje me pergunto como cinco filhos cabiam no banco de trás do pequeno veículo? Um dia em Londres, de repente veio forte a lembranca da infância... A explicacão é que bem ao meu lado no trânsito parado um Austin-taxi tinha o mesmo barulho do motor do nosso!

O pai de meu melhor amigo era um reverendo anglicano que tinha um Morris, também inglês e pequeno. Quando vivemos na ilha de Åland, província da Finlândia, no início dos anos 90, comprei outro modelo do Morris, que passamos a chamar de "boa índole", pois nunca nos deixou na mão no rigoroso inverno da ilha (só uma vez quando a temperatura caiu a 22 negativos, também pudera!). Foi o primeiro carro que tive. Quando ficou por demais velho e acabado, o troquei por um carro japonês, o segundo e último carro que tive até hoje. O velho carro tinha um pequeno problema que não chegava a causar risco na pacata ilha: a chave de ignicão não saía do lugar e as portas não fechavam... Ainda que jamais alguém se atreveria a roubá-lo, coisa desconhecida por aqui, resolvi o problema com a criatividade brasileira e o toque de classe inglês: coloquei uma luva sobre a chave!

A admiracão de meu pai pela Inglaterra tinha também muito a ver com a vitória, juntamente com os seus aliados, contra a Alemanha nazista, assunto que ouvíamos de contínuo no final dos anos 40 e início dos anos 50, captando pouco por sermos criancas ainda. Costumo dizer que, tendo nascido em 1943, enquanto Hitler berrava seus discursos demoníacos e tantas criancas eram mortas ou órfãs de guerra, eu dormia tranquilamente no meu berco.

Em foto já publicada neste blog, a Catedral Anglicana de Saint Paul , que escapou, embora com severos prejuízos, do bombardeio de 1940 que destruiu parte do centro de Londres (City of London).

Cinco antes de eu visitar a terra dela, ela visitou a minha! Eu vivia na cidade de Campos-RJ e um dia meu chefe ligou-me para uma missão especial pelo fato de eu falar inglês: servir de cicerone a dois músicos da banda do iate Britânia, que eram salvacionistas. Desloquei-me rapidamente de Campos e logo estava no cais do Botafogo à espera dos dois para mostrar-lhes a Cidade Maravilhosa.

Aqui estou eu, magrela, no meio dos possantes (o da esquerda não tanto) David e Edward. Nossa tarde estendeu-se à casa de uma idosa missionária inglesa que morava em Niterói, mãe de minha boa amiga Ivete Oliver Sarmento. Um dia conto aqui minha experiência de viver em Campos, terra da cana-de-acúcar e de sua boa gente. Na minha última visita ao país, soube que David ainda é fiel músico em uma banda do Corpo que frequenta.

Não tive a oportunidade de conhecer a rainha, mas como era bonito ver ancorado no Batafogo, com suas luzes acesas à noite, o H.M.Yacht Britannia! Guardo este cartão com o brasão real em relevo enviado pelos salvacionistas no Natal seguinte. Em anos recentes, não deixei de lembrar-me daquele episódio ao ouvir que o iate foi vendido.

Não mais tão magro, mas mais cabeludo (!!) fui escolhido para participar do curso a que me refiro no início. Corria o ano de 1973, ano em que nos casamos. Anneli veio de Nova York trabalhar no Brasil e depois de três meses de sua chegada era a minha vez de viajar. O curso durou quase três meses e em menos de um mês de minha volta nos casamos. A foto mostra a turma da 70. sessão do ICO, com delegados de diversos países dos cinco continentes, culturas diferentes mas algo abencoado em comum: servíamos a Deus como oficiais do Exército de Salvacão! Ao lado do General (sueco) Erik Wickberg, a australiana vice-diretora do ICO, Coronel Eva Burrows, que um dia tornou-se também General, isto é, a líder máxima do ES mundial (aposentada, foi a palestrante do congresso a que assisti na Noruega no último verão, matéria publicada também neste blog, tópico "De trem pela Europa - Oslo).

No tempo livre do curso, explorei Londres pela primeira vez. Aqui, antes da troca da guarda no Buckingham Palace. No bairro de Buckingham Gate, visitei o restaurante salvacionista onde trabalhou, anos antes, minha noivinha "lá no Brasil"! Em um dia de seus dias livres, viu a rainha Elizabeth desfilar em carruagem no dia em que comemorava com pompa o seu aniversário. Na Trafalgar Square eu escrevia para a noiva distante, mas não do coracão.

De vez em quando tínhamos atividades out-doors no curso, e na foto canto em uma reunião ao ar livre na praia de Margate, enquanto a colega da Alemanha segura a letra para mim. Renate é a única colega do curso com quem ainda me correspondo de tempos em tempos.

Já naquele tempo o que conhecera crianca me atraía. Assim fui ao Kensington Garden ver a estátua de Peter Pan, meu herói infantil, criacão de Sir James Barrie. A estátua é obra de Sir George Frampton e foi erigida em 1912 (um ano mais tarde nasceria meu pai).

Em um de meus passeios, encontrei um tipo pub-museu de Sherlock Holmes, personagem do escritor Conan Doyle cujos livros eu pedia que me dessem de presente por ocasião de meus aniversários quando adolescente.

A propósito de Sherlock Holmes, acima uma das fotos de Londres de que mais gosto!

Como parte do curso, visitamos o interior das Casas do Parlamento. A torre do Big-Ben, à beira do rio Tâmisa, é marca registrada da cidade como o Pão de Acúcar para o Rio de Janeiro.

Visitamos Coventry, a cidade de Lady Godiva (há uma estátua sua na praca central). Impressionante a catedral moderna ao lado da que ficou preservada em ruínas após a guerra. No altar destruído, uma cruz tosca e as palavras de Jesus: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Abaixo, Hampton Court Palace, um dos palácios de Henrique VIII que visitei com a colega May Tribe, que fora missionária no Brasil.

Em Nottingham, no centro de país, visitamos a casa onde nasceu o fundador William Booth, hoje um museu que tem ao lado um prédio moderno que abriga muitas obras assistenciais. O slogan salvacionista é lembrado e praticado também na sua terra natal: "Sopa, sabão e salvacão". O grupo cercou a estátua do Fundador, diante da casa, e tirou a tradicional foto que infelizmente só tenho em slide.

Em Saint Albans, ruínas do teatro do tempo dos romanos.
Há alguns anos, o Exército de Salvacão vendeu sua impressora The Campfield Press, que visitamos e onde fizemos uma reunião para os funcionários.

Ao visitar a impressora, de repente vi uma pilha de passaportes... brasileiros!! Acionei a minha câmera e tirei uma fotografia. O flash chamou a atencão do gerente que me pediu o favor de destruir o filme ao revelar, o que fiz mais tarde. Então, os passaportes brasileiros eram impressos no Exército de Salvacão, pensei! Significativo, a nós que espiritualmente procuramos, em nome de Jesus e pelos Seus méritos, fornecer passaportes para as pessoas chegarem ao céu!

Interessante que com o manuseio meus passaportes posteriores, de capa maleável, já perderam o dourado, mas o de capa grossa lá fabricado e que eu carregava comigo na ocasião da visita continua brilhante. Outra boa licão! Por curiosidade, abri-o e lá, os carimbos de alguns dos países que visitei em 1973. E algo mais: a tradicão de viajar na pindaíba... tendo levado somente $ 100.00 em traveller-checks e $ 100.00 em notas. Ainda bem que recebíamos um pocket-money semanal e que os colegas do curso fizeram uma "vaquinha" de presente de casamento!!

Visita ao antigo prédio da sede internacional do Exército de Salvacão (seta), na Queen Victoria Street, a um quarteirão da Saint Paul's Cathedral.

Passeio obrigatório é visitar a Torre de Londres e a Ponte da Torre (The London Tower e a Tower Bridge). A câmara dos horrores mostra que de fato a guilhotina de tão popular não se enferrujava...

Visita até certo ponto "familiar" foi à Catedral de Cantuária (Canterbury), para mim que "nasci" na Igreja Episcopal Anglicana. Com meu uniforme na foto à esquerda, estou com o pároco e o bispo da Igreja, hoje Catedral, em Pelotas-RS, quando vivíamos na cidade de Rio Grande-RS. À direita, com o Arcebispo de Cantuária, legenda mais tarde na postagem.

Quando em visita à famosa Abadia de Westminster, vimos o trono onde, com excecão de dois somente, todos os reis da Inglaterra foram coroados, inclusive a Rainha Elizabeth, em 2 de junho de 1953. Eu tinha 10 anos e lembro-me vagamente de ver fotos na revista O Cruzeiro, inclusive do colar com pedras brasileiras que o presidente Getúlio Vargas ofereceu à nova soberana. A pedra sob o assento foi trazida da Escócia em 1296 pelo rei Edward I.

A segunda vez em que visitei Londres foi quando vivíamos em Portugal, desta vez com a Anneli para assistir a um grande congresso internacional do centenário do nome Exército de Salvacão, em 1978. Foi realizado no complexo Wembley e a grande apoteóse do congresso foi no famoso estádio de futebol. Na foto a Anneli nem entre os representantes do Brasil nem da sua terra, a Finlândia... ainda.

Um grupo de salvacionistas brasileiros e ingleses, que trabalhavam no Brasil, posando diante das estátuas de William Booth e de Catherine Booth, à entrada do Colégio Internacional de Cadetes, em Denmark Hill. Ali cantamos o Hino do Fundador em português, "Perdão infinito, oceano de amor!" (O boundless salvation)

Um festival do congresso foi realizado no famoso Royal Albert Hall, palco das comemoracões do centenário da obra, isso em julho de 1965, ocasião quando compareceu a rainha Elizabeth.

Nesse congresso de 1978 - não o evento da foto, também salvacionista, que publico somente para mostrar o interior do Royal Albert Hall - ouvimos concertos por quatro Staff Bands de diversos países.
Discos, adquiridos recentemente, que guardo como recordacão do centenário, em 1965, do comeco da obra . Um coral de 1000 vozes cantou no Royal Albert Hall para louvar a Deus pelos 100 anos da obra que se espalhou pelo mundo. Dois bons colegas, Sidney e Adonias, representaram o Brasil, e ao voltarem eu queria saber detalhes do que acontecera.

O grupo ritmo Joy Strings, que revolucionou a música evangélica dando-lhe um ritmo moderno, apresentou-se diversas vezes no congresso de 1965; aqui, cantando nas escadarias da Catedral de São Paulo.

Com o líder da igreja que me hospedava, visitei o Castelo de Windsor que se havia incendiado naqueles dias. Uma chuva fraca e fria caía, também inexplicavelmente nas relacões com ele... Depois de conversarmos, em inglês, ficou evidente que "não falávamos a mesma língua" em termos de entendimento.



No auditório onde era realizado o seminário há a colecão de bandeiras de cada turma, com seus respectivos nomes. Surpreendi-me ao ver a bandeira da turma do diretor do meu Colégio de Cadetes em São Paulo, Carl Eliasen, "Embaixadores"(1950-51) um tanto perto da bandeira da minha turma no Brasil, "Pregoeiros da Fé" (1964-65). Abaixo da bandeira do meu diretor, líder espiritual e amigo, que ali foi treinado embora não fosse inglês, uma coluna, exatamente o que ele tem sido todos esses anos. Sua saudosa esposa também estudou no tradicional colégio, onde se conheceram.





De todos os generais -líderes mundias da obra- desde o seu início, 10 têm sido ingleses. Hoje o Exército de Salvacão, sob o comando do General Shaw Clifton, opera em 117 países. Conheci os quatro últimos generais.
Com colegas que assistiram ao culto na Igreja Anglicana de São Paulo quando da visita, em 1999, do Arcebispo de Cantuária, Primaz da Igreja Anglicana, Dom George Carey. Ao lado do visitante, o inglês Coronel John Jones, chefe nacional na ocasião e que nos deu "carta branca" para virmos para a Finlândia, naquele mesmo ano, há 10 anos, portanto. E viemos pela British Airways...


A inglesa Deborah Kerr fez o seu debut no cinema no papel de uma salvacionista no filme "Major Barbara", de Bernard Shaw. Vivian Leigh ("E o vento levou" e "A Ponte de Waterloo", ponte que atravessei para lembrar o filme) e Julie Andrews ("Novica Rebelde") também nasceram na Inglaterra.


Gostou tanto que na terceira vez em que lá esteve levou minha netinha que é vista na foto diante do novo prédio do Quartel Internacional do The Salvation Army.
Há uma música gospel que cantávamos no coral que dizia: "Sim, no campo de batalha ainda estou, sim, no campo de batalha do Senhor". E isso é bem realidade com relacão à minha vida também, prova disso é que ainda no dia de hoje usei esse uniforme! Aleluia!



Para não nos esquecermos de que foram os ingleses quem inventaram o futebol, preferência nacional dos brasileiros!
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L i n k s
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Obrigado pela visita e pela paciência em ler o texto acima!






5 Comments:
Oi Major, gostei mto do post! Bastante informativo! Deu saudades..! hehe, abraço e parabéns!
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Stéph, at Domingo, Abril 26, 2009 2:21:00 PM
Li toda a sua postagem, já que vc havia pedido para eu mencionar pra minha filha. A Inglaterra ainda está no meu "core"... saudades!!! Um dia eu volto! Bete
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Anônimo, at Quarta-feira, Abril 29, 2009 12:39:00 AM
Estive por aqui .... é sempre agradavel ler seu blog. Quantas coisas para contar para os seus netos qdo se aposentar heimmm!? E, que lindas recordações!
aBRaços
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Yara, at Quinta-feira, Abril 30, 2009 10:20:00 PM
Postagem maravilhosa meu amigo...sempre imaginei que Londres era fascinante e sem dúvida apo´s ver sua postagem vi que é muito mais que isso....!
É maravilhosa..obrigada por partilhar conosco tudo isso!
MEUS OLHOS SÃO SEUS OLHOS EM SUAS VIAGENS!Obrigada!
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evelize, at Domingo, Maio 03, 2009 10:23:00 PM
oi......Linda sua postagemm sobre Londres....So a conheço atraves de fotos mas crei que um dia passarei por este cartao postal maravilhoso que o senhor colocou acima.......Belissima cidade.....,Um abraçoe parabens LINIA
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Linia, at Sexta-feira, Janeiro 08, 2010 3:37:00 PM
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