Paulo Franke

01 dezembro, 2007

Ela concedeu vistos brasileiros aos judeus


Ela era paranaense e foi morar com uma tia na Alemanha, após a sua separacão matrimonial. Por dominar o idioma alemão, o inglês e o francês, fácil lhe foi conseguir uma nomeacão para o consulado brasileiro em Hamburgo. Acabou sendo encarregada da secão de vistos. No ano de 1938, entrou em vigor no Brasil a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. É aí que se revela o coracão humanitário de Aracy. Ela resolveu ignorar a circular que proibia a concessão de vistos a judeus. Por sua conta e risco, à revelia das ordens do Itamaraty, continuou a preparar os processos devistos a judeus. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas.
Quantas vidas terá salvo das garras nazistas? Quantos descendentes de judeus andarão pelo nosso país, na atualidade, desconhecedores de que devem sua vida a essa extraordinária mulher? Cônsul adjunto na época, seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa, não era responsável pelos vistos. Mas sabia o que ela fazia e a apoiava.

Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a essa excepcional brasileira. Fica no bosque que tem o nome de Jardim dos Justos entre as Nacões. O nome dela consta da relacão de 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus durante a Segunda Guerra.

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher nesta lista. Uma mulher fascinante, corajosa, moderna, humanista, uma brasileira de valor, uma verdadeira cidadã do mundo, que lutou contra o que é de mais perverso, uma mulher que deveria ter seu nome entre os heróis dos nossos livros de História e até mesmo figurar como nome de rua ou de escola. Essa mulher, quando é lembrada, é citada apenas como esposa do grande escritor Guimarães Rosa.

- Texto, incompleto, inspirado no artigo "Uma certa Aracy, um certo João", de René Daniel Decol, publicado na Revista Gol, de bordo, de agosto 2007.

2 Comments:

  • Paulo, adorei muito esse texto. Vc me surpreende sempre. Eu não conhecia essa história. É uma vergonha do tamanho do nosso país isso não ser ensinado nas escolas, não ser falado em aulas, em datas festivas, em feriados. Sinceramente, uma vergonha mesmo. Temos que "soprar" isso aos 4 cantos, mas principalmente aos brasileiros que vivem no Brasil mesmo. Tantos heróis lá dentro e falamos tanto de heróis estrangeiros. Os livros de História deviam ser todos revistos. Onde estão os grandes historiadores? As vezes até sinto um pouco de vergonha, sabia? As pessoas só sentem orgulho da polícia que mata, dos políticos que roubam, e pouco mais. Um gde abraço.

    By Anonymous Simone, at quinta-feira, dezembro 06, 2007 6:09:00 PM  

  • legal seu blog, e a reportagem também um abraço
    jorgeresendevalente@hotmail.com

    By Blogger Jorge, at sexta-feira, fevereiro 29, 2008 3:15:00 AM  

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