Paulo Franke

24 fevereiro, 2010

O filme "O Mágico de Oz"- Judy Garland - lições"

Postal adquirido no Stars Wall of Fame, Orlando, Florida.


Então minha mulher perguntou-me: "Posso mudar de canal?". "Quero assistir pelo menos a parte noir do filme; quando vier a parte colorida pode mudar", respondi-lhe.

Na semana passada assistia pelo canal TCM ao fime "O Mágico de Oz" (The Wizard of Oz), de 1939, visto pela primeira vez quando eu era menino - no final da década de 40 ou no início da de 50 - e em inúmeras outras vezes ao longo de minha vida. Depois foi a vez de os filhos assistirem ao filme, depois a dos netos e quem sabe um dia a dos bisnetos assistirem ao clássico de todos os tempos, que deu à Judy Garland o Oscar de "melhor atriz juvenil do ano".

Emocionando gerações, o filme foi uma história originalmente escrita por Lyman Frank Baum, com posteriores adaptações feitas por outros escritores. Os comentários sobre o famoso filme foram os mais diversos. Uma das interpretações da época considerava-o uma parábola ao populismo americano - Jack Haley, no papel de o homem de lata, representando o operário; Ray Borger, no papel de o espantalho, representando o homem do campo: Bert Lahr, no papel de o leão covarde, representando um político da época, Frank Morgan, o mágico, o presidente da nação americana. Outra interpretação, menos audaciosa, via a história como uma homenagem ao lar - There is no place like home!= Não há lugar como o lar! - quando uma guerra mundial ameaçava a Europa no final dos anos 30.



Quando a história se torna colorida, falei à minha mulher que poderia agora mudar de canal. Uma que conhecia de cor o que aconteceria, e outra que de fato fadas, bruxas e mágicos não fazem o meu gênero. Na foto, Billie Burke, a "boa" fada. Margareth Hamilton foi a "bruxa má". E existem "fadas ou bruxas boas"?!

Nesta vida são incontáveis as "Dorothys" longe de casa, os "espantalhos" de cabeça oca, os "homens de lata" sem coração e os "leões" temerosos. Esses tipos podem ser vistos pelas ruas, em locais de trabalho, em casas de pessoas da classe rica, média ou pobre, debruçados em balcões de bares ou em mesas de finos restaurantes. Muitas vezes tentando na bebida afogar suas mágoas, sem saber que elas sabem nadar. Isso sem mencionar pessoas que aparentam uma vida normal e equilibrada mas que no seu íntimo, só elas sabem, há um turbilhão de problemas e situações não resolvidas. Podemos ver muitas delas procurando a saída também nas mesas de adivinhos, em astrologia, em religiões erradas, em seitas orientais (ou outras que sejam), em busca de mágicos apresentando suas pretensas soluções às pessoas com problemas.




Judy Garland, a Dorothy, ao contrário do final do filme, foi uma das que jamais encontrou a "saída". Pelo carinho que guardava pelos artistas antigos, do "meu tempo", comprei o "Jornal do Brasil" quando vivia no Rio, e recortei as partes que noticiavam sua morte, ocorrida em 21 de junho de 1969. Na foto acima, com seu quinto marido, vinte anos mais novo do que ela. Abaixo, com o seu grande amigo, Mickey Rooney, que ainda vive.

A vida de Judy foi um drama contínuo, que a fez consultar psiquiatras desde os 18 anos, e pela vida foi dependente de drogas, tendo tentado o suicídio em 1950. O excesso de drogas a matou aos 47 anos, no bairro londrino de Chelsea, em uma casa de portas amarelas, talvez para lembrar os tijolos amarelos do filme que a consagrou.



O filme "O Mágico de Oz" com fuga por amor a um cãozinho, furacão através de excelentes efeitos especiais, sonho-pesadelo em Technicolor da época, tem um final feliz (happy-end). Dorothy volta à realidade da casa dos tios Henry e Em, interpretados por Charlie Grapewin e Clara Blandick, e a vida continua no aconchego do amado lar no Kansas.

Para todos os problemas e encruzilhadas com que se deparam as pessoas, a saída não está em nenhum lugar-fantasia do tipo "Além do arco-íris" (Over the rainbow), música belíssima que também consagrou Judy Garland.

Tenho assistido às vezes a alguns musicais com Judy, inclusive a um em cuja cena final participa sua filha Liza Minelli bem pequenina. Também ao "Julgamento de Nurenberg" onde faz o papel de uma mulher que passara por campos de concentração.

E minha meditação com o nome da música no livro "Edificação Diária", que Deus me deu a oportunidade de escrever, finaliza com estas palavras:

Ao encontrar pela fé não um mágico mas o Filho de Deus, Jesus Cristo, a pessoa nunca mais será a mesma, mas, como os magos da história do Natal, trilharão um "outro caminho" (Mateus 2:12) , pleno de alegria, paz, pureza e excelência, bendita experiência que pode ser realidade na vida de tantas Dorothys, homens de lata, espantalhos, leões covardes ou mesmo de mágicos-e-seus-seguidores-enganando-a-si-próprios.

"A fé vive e faz viver!" - vitoriosamente! Prove isso, caro leitor!




***********************************


Neste blog, no mês de março:


"Dois filmes estrangeiros BRA-FIN que não ganharam o Oscar!"


"Os verdadeiros filmes campeões de bilheteria!"

5 Comments:

  • Amigo Paulo,
    Este filme mostra muito bem o que, constantemente, estamos fazendo pelo simples fato de sermos humanos e, totalmente descrentes de um Amor Maior! Queremos resolução de problemas com muita rapidez e o que encontramos são apenas fugas e ilusões! O que nos deixa mais e mais confusos e caindo no total desespero por nos sentirmos desamparado espiritualmente! Esse sim é o pior desamparo!
    Não existem formulas mágicas que tornem nossas vidas plenamente plenas. Mas existe uma presença Eterna que nos indica os caminhos e as soluções. Que somente através deste Caminho podemos ser aliviados dos erros e defeitos! Que nos mostra que cada ato nosso tem uma conseqüência que TAMBÉM é nossa, apenas nossa!
    Um filme maravilhoso, que sempre me encantou pelo colorido e por um leão covarde! O retrato dos que não enfrentam sua dor com a mesma dignidade que o Mestre enfrentou.
    Abraços e Parabéns!

    By Blogger Maria Thereza, at quarta-feira, fevereiro 24, 2010 4:15:00 PM  

  • Ainda tenho que ver esse filme um dia, hehe.. parece ser muito interessante !
    Mas pela sua postagem tenho uma leve idéia do que o filme retrata, tenho ouvido falar desse filme, mas não tive oportunidade de assisti-lo.
    Ótima postagem..
    Abraço :D

    By Blogger João Guilherme, at segunda-feira, março 01, 2010 11:15:00 PM  

  • Emocionante seus escritos sobre a Judy.
    Lí e reli e a cada palavra me recordava dos seus filmes.
    Uma atriz tão talentosa e sensível que deixou marcado em nossos corações seus nome e seus personagens.
    Adoro sobretudo a sua voz, carregada de sentimentos.
    Parabéns pela matéria meu amigo Paulo.

    By Blogger siby13, at sexta-feira, março 05, 2010 1:31:00 PM  

  • este filme era todo em preto e branco?
    e se não era em que ano deixaram ele colorido

    By Anonymous Anônimo, at sexta-feira, agosto 20, 2010 5:25:00 AM  

  • O filme foi feito assim. Preto-e-branco nas partes "reais" e colorido no sonho de Dorothy. aBRaco.

    By Blogger paulofranke, at terça-feira, setembro 28, 2010 2:51:00 AM  

Postar um comentário

<< Home