Paulo Franke

18 setembro, 2010

2. Os 200 anos do nascimento de Frédéric CHOPIN

Frédéric Chopin (1810-1849)


Ouvir um recital de Chopin foi um dos motivos, mas não o único, de ter passado minha última semana de férias de verão, já dentro do outono, na Polônia, amada terra daquele que considero o maior pianista de todos os tempos.




A Polônia convidou o mundo para os 200 anos do nascimento de seu filho ilustre, e recebeu turistas como talvez nunca antes em sua história.




À chegada no aeroporto, exato no local de retirar as malas, enquanto elas não vinham fotografei um grande poster com os dizeres: "Aproveite! Varsóvia 2010, este é o meu ano!"


Eu estava na capital polonesa, Varsóvia, no Aeroporto Frédéric Chopin!


No mesmo aeroporto, em uma exposição, esta obra de Dagmara Godles.



Visitando a cidade velha, ao lado do busto de Chopin.

Há 50 anos, de maio a setembro, no Parque Lazienski , ao lado do grande monumento em homenagem a Chopin, há dois recitais ou concertos durante o domingo. Assisti ao penúltimo deste importante ano, pelo pianista suiço Bertran Giron, apresentando-se pela primeira vez na Polônia. E nas rosas, a cor nacional da Polônia.




Frédéric Chopin, um homem melancólico, triste e pálido, que impressionava pela sua aparência doentia. George Sand - nascida Amandine-Aurore-Lucile Dupin - escritora com quem o compositor viveu uma dezena de anos, refere-se a ele como uma criança, "um pobre anjo muito triste". "A delicadeza um pouco doentia de sua natureza aliava-se à poética melancolia de seus noturnos", disse Ernest Legouvé.



Franz Liszt a seu respeito disse: "Seu olhar era mais espiritual do que sonhador; seu doce e fino sorriso se tornava amargo; seu nariz curvo, expressivo, acentuado; sua estatura, pouco elevada; o timbre de sua voz, um pouco surdo, às vezes abafado. Seu andar tinha tal distinção e seus modos um tal caráter superior que involuntariamente se o tratava como um príncipe."


A Polônia, onde o compositor nasceu e passou a primeira metade de sua vida, era uma nação oprimida por potências estrangeiras (Áustria, Prússia e Rússia), que a repartiram entre si desde o final do século 18. Privados de sua independência, os patriotas poloneses insurgiram-se por diversas vezes e desenvolveram um ardente nacionalismo, que encontrou em parte da obra de Chopin uma de suas grandes expressões.



O compositor, embora não fosse um ativista político, sempre apoiou seus compatriotas nacionalistas e exilou-se junto com milhares deles. Em Paris, para onde se dirigiu a maior parte dos poloneses exilados, Chopin participava de espetáculos beneficentes para ajudá-los. Deixou a Polônia em 1830 e nunca mais retornou, proibido de voltar ao seu país pelo resto da vida. Com suas mazurcas estão presentes as raízes folclóricas polonesas; o ímpeto nacionalista expressa-se nas polonaises. E sua nostalgia em quase todas as suas composições.



Além de um polonês, pelo lado de sua mãe, ele foi também um francês, pois seus ascendentes paternos provinham da França, somado ao fato de que lá viveu a segunda metade de sua vida. As aulas de piano foram a sua principal fonte de subsistência. Nas salas de concerto de Paris, o compositor esteve sempre cercado pela mais alta aristocracia francesa, pelos intelectuais e artistas da moda. No início de sua estada em Palma de Maiorca, para tratamento, "sob as palmeiras, os aloés, o céu em cor turquesa" - como escreveu ao amigo Fontana, Chopin viveu alguns de seus melhores momentos com George Sand, desenvolveu intensa atividade criativa e sentia-se feliz: "Estou muito perto do mais belo dos mundos, sou um homem melhor". Pouco depois, porém, sua moléstia, tuberculose, se agravou e o casal teve de partir para Marselha.


No verão de 1847, o casal resolve separar-se. No ano seguinte entra em fase de grande depressão. Desolado e abatido, aceita o convite da aluna Jane Stirling para visitar a Inglaterra e a Escócia. Bem-recebido pela aristocracia britânica, dá um recital diante da rainha Vitória e do Príncipe Alberto; encontra-se com Dickens, Carlyte, Lady Byron e outras personalidades. Faz recitais em Manchester, Glasgow e Edimburgo, mas o faz sem o menor prazer, apenas para ganhar o sustento. Em Londres dá um concerto beneficente para refugiados poloneses. Cada vez mais frágil em virtude da tuberculose, sonha em voltar a Paris.




A morte de Chopin, quadro de Kwiatkowski.

Viveu seus últimos meses em um subúrbio da capital parisiense, sendo constantemente visitado por seus amigos, mas no final de setembro é levado novamente para o centro de Paris, instalando-se em um apartamento na praça Vendôme, n. 12. A 17 de outubro de 1849, termina seus dias, deixando obras que se situam entre as mais importantes da literatura pianística de todos os tempos.
Nota: Até 2008 acreditou-se que morreu de tuberculose; estudos de Wojciech Cichy, da Faculdade de Medicina da Universidade de Poznan atribuíram a sua morte a uma fibrose quística.


Em visita a Paris com meu neto pianista, visitamos o Cemitério Père Lachaise...



...ocasião para uma foto junto à sua sepultura.



A Igreja da Santa Cruz, na cidade velha de Varsóvia, lugar importante que visitei, sentando-me em um banco próximo à coluna abaixo:




De acordo com o seu desejo, o coração de Chopin foi enterrado na Polônia.

Em inglês: Aqui jaz o coração de Frederick Chopin. Em polonês, em uma extensão da coluna, as palavras de Jesus, dedicadas por seus compatriotas: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mateus 6:21).


Em diversos locais de Varsóvia, algo muito interessante: um banco com o roteiro de locais ligados à vida do grande pianista (diversas casas, igrejas, bosques etc. que pelo tempo limitado não me foi possível visitar).


E à direita do banco há um botão. Ao apertá-lo, uma das muitas músicas de Chopin é tocada e a pessoa pode sentar-se para escutá-las. A menininha descobriu o botão, mas levará um tempo até apreciar as famosas músicas de seu famoso compatriota.



Esta postagem foi feita ao som de polonaises e baladas de Chopin, contidas em um disco de vinil que ganhei de um sobrinho pianista na última vez em que estive no Brasil. O texto - em resumo - sobre a vida do grande compositor foi extraído do livreto que acompanha o disco LP, da coleção "Mestres da Música", interpretado pelo pianista Peter Frankl, e lançado pela Abril Cultural, em 1982.



O souvenir da viagem para a minha estante.


Magnéticos comemoraticos para geladeira:
presente para as filhas!



Minha filha, pianista desde os 5 anos. Como gostava de ouvi-la, nos bons tempos de casa, estudando algumas lições do Conservatório, entre elas as valsas de Chopin!


Um rapaz alemão que dormia no mesmo quarto que eu no albergue. Quando o achei "a cara de Chopin", muito pelo seu nariz acentuado, parece que se deu conta disso, gostou e enviou-me uma foto sua tirada junto à famosa estátua!

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E nas recordações dos filmes assistidos na década de 50, "À Noite Sonhamos" (A Song to Remember), da Columbia Pictures, estrelado por Cornel Wilde e Merle Oberon. O grande pianista José Iturbi tocou as músicas de Chopin. E nessas recordações, algo de que nunca me esqueci: o momento quando o teclado fica manchado de sangue ao tossir o compositor.


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L i n k:

Polonaise in A Op. 40 No. 1 "Military"

http://www.youtube.com/watch?v=W1Qq3RA19G4


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Na continuação:

3. O Gueto de Varsóvia (a)
4. O Gueto de Varsóvia (b)
5. Visita à Cracóvia
6. A Fábrica de Oscar Schindler
7. Campo de Extermínio Treblinka
8. Gerais e conclusão

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