3 - O que restou do GUETO de Varsóvia (1a parte)
Sem ter uma pista de como e onde começar essa peregrinação, pensei em unir-me a uma turnê se o preço fosse acessível (ainda em casa, ao procurar na Internet, porém, descartara a idéia pelo preço além de minha possíbilidade). Ao informar-me na recepção do albergue (hostel) onde me hospedava, a moça rápida e simplesmente passou-me às mãos o folheto acima, Varsóvia Judaica. "E onde fica o Gueto de Varsóvia?", perguntei-lhe. "A um quarteirão à esquerda, saindo do albergue!", respondeu-me. "Tão perto!" exclamei animado, sem imaginar as longas caminhadas que me aguardavam.
(A seta indica onde situa-se o albergue.) Outra surpresa foi saber que o Gueto ficava no centro da cidade de Varsóvia, mesmo naquele tempo. Antes da Segunda Guerra, 30% da população de Varsóvia era judaica, sendo a segunda comunidade na Europa. Pelo mapa pude ver a demarcação de onde se localizava o Gueto, inclusive com pontos numerados, de 1 a 26, indicando lugares originais remanescentes, monumentos ou locais exatos onde aconteceram episódios dramáticos ligados ao cruel confinamento de 450.000 judeus de Varsóvia e de cidades vizinhas em um gueto, construído em novembro de 1940, em uma área de somente 1km quadrado.
Em bronze o centro de Varsóvia e em relevo o Gueto, que a medida que os nazistas iam esvaziando, enviando milhares de judeus para os campos de extermínio, diminuía também em sua área.
O mapa indicava o número próximo, onde haveria possibilidade de ver mais uma parte do muro, na Rua Zlota 62, simplesmente à entrada de um bloco residencial.
Demorei-me um pouco mais nesse lugar, fotografando-o ...
... e refletindo no drama das pessoas, das famílias, confinadas por detrás daqueles muros...
... minguando dia a dia a sua subsistência bem como a sua esperança de sobrevivência, o que o livro de Leon Uris descreve quase em detalhes. Para homenagear a memória dessas pessoas, minha necessidade foi não somente de ver as únicas partes que restaram do muro, mas também a de tocar naqueles tijolos que tudo testemunharam.
Em maio de 1992, o então Presidente de Israel, Chaim Herzog, visitou o lugar e homenageou os mártires com uma placa de bronze.
Outras placas homenagendo as vítimas, do Museu do Holocausto Yad-Vashem, em Jerusalém, e outra, visível na foto, do Museu em Houston.
Rua Mila... uma boa caminhada até lá!
E eu chegava a um lugar-chave no contexto de toda a tragédia dos judeus poloneses...
Exatamente aqui ficava a célebre Mila 18, o prédio em cujo porão instalaram o bunker ocupado pelo comando da Resistência Judaica. Depois da guerra, em 1946, este monumento foi formado das ruínas do prédio e erigido um memorial com inscrição em polonês, iídiche e hebraico.
Em 8 de maio de 1943, o bunker foi descoberto pelas tropas alemãs. Muitos guerreiros da Resistência cometeram suicídio, incluindo um dos líderes do levante do Gueto, Mordecai Anielewicz.


Mas não me permiti queixar-me - a mim mesmo, no caso - em momento algum, lembrando-me desta foto que sempre me chamou a atenção pela semelhança do menino maior comigo quando com a sua idade... Com sua família caminharam 1km e meio ... direto ao crematório de Auschwitz-Birkenau.


Outra foto que mostra a condição sub-humana do apinhado Gueto de Varsóvia, que se deteriorava mais e mais.

Sem comentário.
Nota: As três primeiras fotos históricas do Gueto foram extraídas do livro "The Living History Forum", adquirido no Museu do Holocausto em Estocolmo.
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Próxima postagem:
4 - O que restou do Gueto de Varsóvia - segunda parte.
Acompanhe-me na continuação desta caminhada.

7 Comments:
Fiquei impressionado com as fotos do que restou do Gueto de Varsovia, mas ainda atemorizado com as fotos de seres humanos forçados a viver em condições desumanas e a perecerem em meio a uma guerra e a uma ideologia sem nexo algum, mas porém feliz com o trabalho do caro e estimado paulo franke em nos revelar a realidade atual do que foi o gueto e ao mesmo tempo um passado tao cruel e tao presente, nao podemos esquecer dos massacres do judeus!!! Parabéns Paulo
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Anônimo, at Sexta-feira, Setembro 24, 2010 11:29:00 PM
oi Paulo!
sobre o gueto de vársóvia você mencionou o nome de Janusz Korczak, eu li o livro, (tinha na escola onde trabalhava) que conta a vida dele, o nome do livro é: "Quando Eu Voltar a Ser Criança" de Józef Ignacy Kraszewski. É muito bom e naturalmente triste!Parabéns, sucesso e obrigada pelas preciosas informações que nos passa sempre.
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tinha, at Sábado, Setembro 25, 2010 5:44:00 AM
Paulo,
estarei acompanhando as próximas postagens com ansiedade.
Um grande abraço e Deus continue te abençoando mais e mais.
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Luciana, at Sábado, Setembro 25, 2010 6:13:00 AM
É, amigo Paulo. Foi o que lhe disse uma vez, colocar a mão para sentir o que os olhos não podem acreditar! É o meu desejo em Jerusalém. Nossos olhos não estão acostumados como deles foram obrigados a acostumar, se é que isso é possível, ver o mal palpável! Parabéns pelo trabalho em nos mostrar, compartilhar, o que nossos olhos e corações não conseguem imaginar ser possível! Ver pessoas sendo subjugadas a uma vida sem vida!
Espero que esse mal seja, um dia, reparado no coração do mundo.
Esperarei a conclusão. Parabéns!
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Maria Thereza, at Sábado, Setembro 25, 2010 9:58:00 PM
Ola amigo..
Deixe-me ver se entendi. O Gueto da Varsóvia foi um lugar de 1km² construido com o objetivo de exterminar os judeuses? Que trágico.
Imagens valem mais do que mil palavras e aqui você tem postado fotos incriveis, principalmente as antigas que nos dam uma idéia melhor da realidade, é triste.
Parabéns, seus 2 cansativos dias nos renderam ótimas fotos/postagens.
Abraço
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João Guilherme, at Quarta-feira, Setembro 29, 2010 6:21:00 AM
eu não sei o que te falar, pra mim é muito dificil. porque por mais que tente imaginar o sofrimento desses irmãos, eu sei que não chego nem perto de imaginar do sofrimento deles. e um sofrimento tão longo de anos. é triste , triste de mais...
parabéns e muito obrigada por essa informações. tenho curiosidade e tristesa com esse acontecimento. tchau parabéns colega.
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claudiane, at Segunda-feira, Junho 06, 2011 2:32:00 AM
Parabens pelo Blog,bem descrito com fotos indescritiveis.Estive na Polonia (Varsovia e Cracovia) este ano e pude ver pessoalmente fragmentos e entender mais aquele periodo de horror.Tocar no muro do gueto,imaginar a bravura daqueles que resistiram aqueles seres humanos bestiais(os nazistas)mesmo com poucos recursos é uma experiencia recomendada a todos.
Um abraço
Flavio Eduardo msn eduardomed1979@hotmail.com
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Flavio, at Quinta-feira, Dezembro 15, 2011 12:53:00 PM
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