Paulo Franke

22 junho, 2011

G.ABADIE, homem de Deus, na 2a Guerra Mundial/ 1



A origem desta postagem

Em 2010, através de uma antiga amizade que a Internet resgatou, visitei Paris com meu neto. Foram dias maravilhosos na Ville Lumière, sendo hospedados pela amiga brasileira (à esquerda na foto), filha de um grande homem de Deus, destacado pregador, evangelista e cantor evangélico que foi oficial do Exército de Salvação no Brasil. E numa noite fomos jantar em um restaurante com a filha (à direita) de outro destacado homem de Deus, um francês que liderou a obra salvacionista no nosso país durante 8 anos.

Conversar sobre o passado foi uma constante naquele nosso encontro; e não só, mas também "encená-lo". Poucas pessoas estavam nas ruas na hora em que voltamos para a casa de nossa anfitriã, às margens do rio Sena, mas mesmo assim tive a idéia de encenarmos uma reunião ao ar livre típica dos anos 60.

Todos "toparam"! Meu neto e sua tia-avó, nossa anfitriã, fingiram tocar instrumentos de sopro - ela de fato tocava barítono e ele toca trombone - e eu e a menina que não via desde 1965, cantamos hinos típicos de "ar-livres". E eu cantava de boca aberta (óbvio!) também com a surpresa de que ela se lembrava das letras embora não as cantasse mais há tantas décadas."Vamos, pois, a bandeira erguer, bandeira de amor e perdão!", "A nova do Evangelho já se fez ouvir aqui". Rimos muito, divertimo-nos muito, mas lá no fundo a emoção prendeu-se ao nosso coração naquele momento à nuit a Paris, momentos que nos serão inesquecíveis.



Resumindo, nos contatos posteriores com a "filha caçula do Abadie", através de e-mails, ela concordou com que eu publicasse no meu blog as experiências de guerra de seu pai. Para isso, enviou-me o rascunho datilografado do livro que ele escreveu, "J´ai gardé la foi"(Eu guardei a fé), no capítulo respectivo, que será o assunto das próximas três postagens deste blog.

Obrigado, Anália, pela maravilhosa hospedagem em Paris!

Obrigado, Reine-Luce, pela preciosa colaboração ao meu blog! Muitas pessoas, não só que conheceram seu pai, o lerão, com certeza.


Retrocedendo no tempo, a foto noir mostra os cadetes (seminaristas) de 1964-66, sendo dirigidos pelo homem que me trouxe para o ES, o saudoso Capitão Sidney Campos, no hino de nossa turma, "Pregoeiros da Fé", que recebia as boas-vindas naquela reunião pública no Corpo Central de São Paulo, em março de 1964. (O autor da letra do hino - que fez uma "ginástica" para rimar "Somos de Deus os pregoeiros da fé" com "nada nos faz arredar o pé!" pode ser visto com sua esposa na platéia, os filhos do diretor na fila da frente, ao lado o menino NegritoDaniel, e na plataforma os Comissários Gilbert e Marguerite Abadie). Incrível que esta é a única foto em que estou com o homem de Deus que é alvo desta e das próximas postagens, daí ter feito a "marcação para reconhecimento". Eu tinha 21 anos.Um ano depois eles despediam-se do Brasil.



Em 1973, tornei a encontrá-los, dessa vez no Colégio Internacional para Oficiais (ICO), em Londres, onde, já aposentado, fez uma palestra marcante. E com a foto o convite para visitá-los em sua casa em um bairro distante.





No meu álbum de viagem escrevi o seguinte comentário após a visita:

Depois de uma longa viagem de metrô-trem (na qual li 6 cartas que haviam chegado de minha noiva!), cheguei a Woodford Green. Que dia especial! O feijão-com-arroz que a Sra. Abadie preparou, nossas longas conversas sobre o Brasil, as músicas brasileiras que escutamos, os álbuns de fotografia que vimos, e tudo o mais provou que sentiam muita saudade do nosso país, onde foram líderes por 8 anos. Digno de nota foi o passeio que fiz com o casal na floresta Epping, vizinha à sua casa, lugar fabuloso, belo e quieto. No final do dia, levaram-me à estação do trem, "esquecidos do inglês" depois de falarem português(e muito bem!) durante tantas horas! E ali nos despedimos."

E nunca mais encontrei os amados líderes, os primeiros de tantos outros que tive no meu longo ministério no Exército de Salvação!




No entanto, ler a respeito de sua vida e do trabalho marcante como líder no Brasil, de 1957 a 1965, ainda hoje se pode fazer. Acima, o que um amigo seu, Comissário Carl Eliasen, escreveu recentemente na revista "O Oficial", destacando à nova geração de oficiais exemplos da firme e sábia liderança de Gilbert Abadie.


________________


Em 1983, como editor do nosso jornal, publiquei a notícia de sua "promoção à glória" - em 07 de maio de 1983 - termo que usamos para designar o falecimento de salvacionistas. O texto abaixo, extraído do programa da reunião in-memoriam, realizada em Londres em 13 de maio de 1983, faz-nos conhecer um pouco da vida do grande líder francês.
.
A personalidade, franca e enérgica, de Gilbert Abadie fez com que aos dezesseis anos rejeitasse a influência religiosa na qual havia sido criado, em Lorraine, França, e se declarasse ateu. Indubitavelmente, seu treinamento como professor concorreu para a sua aproximação racional da verdade, a qual se dispôs a defender durante toda a vida, às vezes com dano próprio.

Durante o período de seu serviço militar, o jovem Gilbert recebeu a influência de um jovem protestante que o introduziu a algumas reuniões evangélicas celebradas em lares crentes. Certa noite, estando de guarda, encontrou o Senhor através da leitura de um livro evangélico. Seu propósito firme fez com que procurasse converter seu irmão, e assistiu pela primeira vez a uma reunião do Exército de Salvação (Armée du Salut) quando foi realizada uma campanha de três dias em sua cidade natal.

A conversão consequente de seu irmão, junto com a agressiva religião do Exército de Salvação, sua pregação direta, a ausência de formalismo e os esforços sistemáticos de ganhar os inconversos, fizeram com que ele sentisse que seu futuro estava nesta organização, ainda que tão nova para ele.

Tornando-se oficial (pastor) em 1930, as primeiras nomeações de Abadie foram ligadas à juventude e seu treinamento, exceto por um breve período, em 1934, quando foi o pioneiro do trabalho salvacionista na Argélia. Por cinco anos, durante a Segunda Guerra Mundial, esteve aprisionado.

Por um período de oito anos, iniciado em 1957, juntamente com sua esposa liderou vigorosamente o Exército de Salvação no Brasil. Já falando diversas línguas, aplicou-se ao estudo do português, tornando-se fluente além de todas as expectativas, possibilitando o o uso dinâmico da plataforma e mesmo da pena ao escrever a história da obra no Brasil.

Seu nome não está apenas gravado nas placas de muitos prédios que foram construídos durante a sua administração no solo brasileiro, mas mais profundamente ainda no coração do povo brasileiro.




A foto que distribuíram em conexão com sua despedida do Brasil, em 1965.



_________________


CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM,


QUE DARÁ INÍCIO AO CAPÍTULO DE SEU LIVRO


SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.



__________________

3 Comments:

  • Parabéns! Gostei mesmo da traducão? Que trabalho!

    Muito obrigada por falar do meu pai. Que saudade!

    Gostei muito da introducão, quando você fala do nosso "ar livre" em Paris!

    R-L

    By Blogger paulofranke, at segunda-feira, junho 27, 2011 2:37:00 PM  

  • Caro amigo ...simplesmente linda todas as partes dessa maravilhosa história real de fé e perseverança(li todas as partes), fico feliz em saber que seu blog continua MARAVILHOSO como sempre!
    Obrigado...!

    By Anonymous evelize, at segunda-feira, junho 27, 2011 10:18:00 PM  

  • Ola meu querido amigo... Obrigada pelo convite para ver seu blog que continua cada mais lindo e com historias riquissimas.
    Vejo aqui que mais uma vez andou pelo meu amado Brasil...
    Vendo estas fotos me deu uma saudade de la...
    Parabens pelas lindas postagens...
    Mais uma vez Obrigada...
    Um grande abraço...

    By Blogger ATELIER DE COSTURA, at terça-feira, agosto 16, 2011 12:59:00 AM  

Postar um comentário

<< Home