Paulo Franke

30 novembro, 2014

Pr. Martin Luther King: "Batida à Meia-Noite".


Diante dos recentes tumultos raciais nos Estados Unidos, lembrei-me do Pastor Martin Luther King, assassinado no ano de 1968, e de seu sermão aqui publicado. 
Sejam abençoados ao lê-lo e a divulgarem-no!

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Batida à Meia-Noite

Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho que lhe oferecer?
Lucas 11:5-6

Apesar de tratar-se nesta parábola do poder da oração perseverante,  ela pode servir de base para refletir sobre os muitos problemas do mundo atual e a parte que toca à Igreja na aclaração deles. É meia-noite na parábola; é também no mundo, e a escuridão é tão profunda que quase não enxergamos a direção que devemos tomar.

É meia-noite em relação à sociedade

Num plano internacional vemos os povos empenhados em luta gigantesca e exasperada pela supremacia do poder. Duas guerras mundiais tiveram lugar numa geração e as nuvens de uma terceira pairam ameaçadoramente baixas. O homem possui agora armas atômicas e nucleares que, em poucos segundos, podem arrasar totalmente as maiores cidades do mundo. No entanto, a rivalidade nos preparativos bélicos continuam, e a experiência com bombas atômicas ainda são realizadas na atmosfera, com a perspectiva sombria de ser envenenado o ar que respiramos, pela radioatividade. Será que essas condições e essas armas poderão causar a destruição da raça humana?

A meia-noite exterior da vida do homem em sociedade tem relação com a meia-noite em sua vida interior pessoal.

É a meia-noite com respeito à psicologia. Durante o dia e a noite, em todo o lugar, os homens são perseguidos por um medo paralizante. Grandes nuvens de pavor e desânimo obscurecem o nosso céu espiritual. Atualmente mais pessoas têm perdido seu equilíbrio espiritual do que em qualquer outra época da história humana. As salas psiquiátricas dos nossos hospitais estão superlotadas e os psicólogos mais procurados  são os psicanalistas.

É meia-noite também em relação à moral.

À meia-noite as cores perdem sua distinção e tornam-se cinzentas. Os princípios morais perderam sua característica. O homem moderno considera absolutamente certo e absolutamente errado o que a maioria faz. O certo e o errado depende das inclinações e hábitos das comunidades em particular. Sem o saber estamos impregnando, no campo moral e ético, a teoria da relatividade de Einstein que descreve claramente o universo físico.

A meia-noite é a hora na qual o homem procura desesperadamente observar o décimo-primeiro mandamento: "Não te deixes apanhar". Segundo a moral da meia noite, o pecado capital é ser apanhado e a virtude capital escapar. Julga-se perfeitamente lícito mentir, contanto que seja com "classe". É perfeitamente normal roubar contanto que seja feito de maneira tal que a acusação, caso for apanhado na falsificação, não seja classificada como sendo roubo. Até é admissível odiar, contanto que o ódio seja cercado com o manto do amor, fazendo crer que o ódio é amor. A doutrina de Darwin, da sobrevivência dos mais fortes, foi melhorada com a filosofia dos astutos. Esta maneira de pensar foi a causa do desmoronamento trágico dos valores morais, e a meia-noite do fim da moral está sempre perto.

Como na parábola, assim a densa escuridão da meia-noite em nosso mundo é interrompida pelo ruído de uma batida.

Milhões de pessoas batem na porta das igrejas. Sentem elas que a Igreja ainda tem a resposta à confusão que as cerca na vida. Ela continua sendo o lugar para o qual o viajante cansado alcança à meia-noite. Ela é a casa, edificada no lugar onde sempre esteve, a casa à qual o viajante vem, ou se abstém de vir, à meia-noite. Alguns resolvem não vir. Mas as multidões que chegam e batem procuram desesperadamente uma pequena chance para se manterem flutuando por cima da água.

Quando o homem da parábola bateu à porta de seu amigo, pedindo três pães, recebeu a resposta impaciente: "Não me importunes; a porta já está fechada e os meus filhos comigo também já estão dormindo, não posso levantar-me para tos dar." Quantas vezes os homens têm tido desapontamentos semelhantes ao baterem na porta da Igreja à meia-noite!

Na parábola vemos que o homem, apesar do desapontamento inicial, não parou de bater na porta de seu amigo. Pela sua insistência e obstinação ele conseguiu que seu amigo finalmente lhe abrisse a porta. Muita gente continua batendo  na porta da Igreja, à meia-noite, por saber que lá encontra o Pão da Vida. A Igreja tem o dever de anunciar o Filho de Deus, Jesus Cristo, como a esperança dos homens em todas as suas múltiplas necessidades pessoais e  sociais. Muitos virão para obter uma resposta aos seus problemas da vida.

Muitos jovens batem à porta à meia-noite por estarem desorientados pelas incertezas da vida. 

Muitos estão confusos pelas decepções diárias e indiferentes pelas várias interpretações da História. Alguns dos que chegam foram afastados dos seus estudos ou empregos para servirem à pátria. Devemos equipá-los com o pão fresquinho da esperança e enchê-los com a convicção de que Deus tem o poder de tornar o mal em bem. Outros que vêm estão possuídos de um senso de culpa que tem origem nas suas andanças pela meia-noite do relativismo ético e na doutrina da auto-realização. É nosso dever conduzi-los a Quem lhes oferece o pão do perdão. Ainda outros que chegam, são atormentados pelo medo da morte, ao se aproximarem do ocaso da vida. Devemos oferecer-lhes o pão da fé na imortalidade, a fim de que reconheçam que a vida terrena é apenas  uma introdução imperfeita para um novo despertar.

À meia-noite é uma hora inquietante na qual se torna muito difícil ser cristão genuíno.

A palavra melhor que a Igreja pode pronunciar é que a meia-noite não durará para sempre. O viajante cansado que à meia-noite vem pedir pão, anseia realmente pelo amanhecer do dia. Nossa mensagem eterna de esperança é que o dia amanhecerá por certo. A fé do amanhecer vem da crença de que Deus é bom e justo. Quem assim crê sabe que as contradições da vida não são nem determinantes nem finais. Ele pode atravessar a escuridão da noite com a certeza de que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus. 

Até mesmo uma meia-noite sem estrelas pode prenunciar o amanhecer de uma grande realização.

Amém.

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Próximas postagens:

- Então, é NATAL! -  em duas partes.

- Viajando a um lugar onde nunca estive antes...

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24 novembro, 2014

4 Curtas historias - nem por isso leves! - ligadas ao Holocausto.




Samuel Klein havia completado 91 anos em 15 de novembro. Judeu polonês naturalizado brasileiro, deixou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial e se estabeleceu em São Caetano do Sul, no ABC.

Nascido em Lublin, ele era o terceiro de nove irmãos. Chegou a ser preso aos 19 anos pelos nazistas e enviado com o pai para o campo de concentração em Majdanek, na Polônia, enquanto a mãe e os cinco irmãos foram exterminados no campo de Treblinka.

Ele relatava que, no campo de trabalhos forçados, sobreviveu graças às habilidades de carpinteiro. Samuel conseguiu fugir durante uma transferência de presos em 1944. Depois, foi para Munique em busca do pai. Após um período vendendo artigo para as tropas aliadas, mudou-se em 1951 para a América do Sul.

Seu primeiro destino no continente foi a Bolívia. Ao Brasil, chegou em 1952 trazendo a mulher Ana e o filho Michael, então com dois anos e que tinha nascido na Alemanha. Começou a atuar como mascate revendendo roupas de cama, mesa e banho de porta em porta usando uma charrtete.

À época, segundo relato da família, já adotava a possibilidade de pagamentos parcelados, cuja contabilidade era executada pela mulher. (Google)
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"Fui me escondendendo e entrando no trigal cada vez mais. Não sei para onde

 estava indo, mas tinha certeza de me afastar do grupo."
Dessa forma, o jovem Samuel Klein escapou de uma das "marchas da morte", nos arredores do rio Vístula, em 1944. Antes, Samuel fora enviado, com seu pai, ao campo de extermínio nazista de Majdanek.
Sobrivente do Holocausto e fundador das Casas Bahia, faleceu nesta quinta-feira, 20/11/2014, aos 91 anos, em São Paulo.
Nosso abraço a toda a família e amigos. Sua história de resistência e reconstrução continuará sendo contada. Ela não foi em vão. 
(Eduardo Nicolau)

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Nota do Dono do Blog:

Estive recentemente em Lublin, onde nasceu o Sr. Samuel Klein. Tendo 

visitado somente o Campo de Extermínio de Sobibor, na fronteira com a 

Ucrânia, planejo voltar para visitar Majdanek.

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L i n k s: (basta clicar):

 12. LUBLIN, Hotel-Sinagoga Ilan**** (um oásis!)......

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Quem assistiu ao filme "O Egípcio" ou leu o livro do finlandês Mika Valtari, no qual foi baseado (veja link) não esquecerá de Bella Darvi, que interpresou a mulher que destruiu a vida do egípcio. Tendo assistido ao filme na década de 50, recordo-me de "ter ficado indignado com o papel cruel da atriz". Em anos recentes, porém, sabendo da história da judia Bella Darvi fiquei penalizado e sentindo-me um tanto culpado por não ter apreciado o seu desempenho. Em outras palavras, ela escapou das câmaras de gas no Holocausto, mas acabou sua vida sendo vitimada, propositalmente, pelo gas de seu apartamento.


A polonesa Bayla Wegie (1928-1971)r, cujo nome artístico foi Bella Darvi, atuou em 15 filmes, destacando-se em “Tormenta sob os Mares/Hell and High Water” (1954), “O Egípcio/The Egyptian” (1954) e “Caminhos sem Volta/The Racers” (1955), mas o sotaque carregado e alguns escândalos abortaram rapidamente sua carreira. O produtor Darryl F. Zanuck a levou a Hollywood para transformá-la em estrela, mas ela bebia muito, gastava ainda mais e era viciada em bacará e roleta. Sua vida foi cheia de infortúnios: sobreviveu de um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial e dissipou tudo o que tinha nos cassinos de Mônaco. Nos anos 60 sua carreira havia terminado. Endividada, tentou o suicídio várias vezes, até que o conseguiu em 1971, ao abrir o gás de seu apartamento em Monte Carlo. Tinha apenas 43 anos e já nada restava de sua beleza, como a mulher que interpretou em "O Egípcio".

L i n k s:

http://paulofranke.blogspot.fi/2010/08/valtari-o-egipcio-purdom-tierney.html

8. Principado de MÔNACO e Cannes, famosa dos Festi...

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De uma postagem mais antiga do meu blog:

É  F O R T E  o que vai ler abaixo... o que aconteceu com este filho judeu (não gosto e não uso, mas não é à toa a origem da palavra "judiaria"):


É o depoimento de uma sobrevivente que viveu no Brasil, prestado à revista Manchete na década de 60 (foto):

"Nós, os mais fortes, éramos obrigados a cavar extensas covas. À beira dessas, colocam-se, em fileiras, os doentes, os velhos, as crianças e as mulheres incapacitadas para o trabalho. Rajadas de metralhadoras iam fazendo os coitados tombarem, às dezenas, dentro da sepultura. Mortos, quase todos. Alguns, porém, agonizantes. Assim mesmo, escutando os gemidos e os rogos, tínhamos de cobri-los de terra. Há um episódio de que não consigo esquecer. O rapaz que trabalhava ao meu lado, quando ia atirar a primeira pá, ouviu sair do montão de corpos o apelo desesperado na voz de sua mãe: 'Não jogue, meu filho, pois eu ainda estou viva!' Ele se deteve, hesitante. Imediatamente o soldado nazista lhe encostou às costas o cano da metralhadora: 'Jogue, ou morre também'. Do fundo da cova subiu, num soluço, outro apelo da mulher. 'Jogue, então, meu filho'. Ele jogou."

L i n k s:

O dia sombrio em que fui a Treblinka:

http://paulofranke.blogspot.fi/2010/10/7-o-dia-escuro-em-que-fui-treblinka.html


Nota: No "Índice de todos os meus tópicos" (abaixo), use as palavras-chaves... Bergen-Belsen, Auschwitz-Birkenau, Terezin etc. para localizar as postagens de minhas visitas a outros campos de concentração, idem ao Museu Anne Frank em Amsterdam, Museu Yad Vashem em Jerusalém, Museu-Fábrica de Schindler, na Cracóvia etc.

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Disse um famoso violinista judeu que, no passado, tão logo um menino pudesse aguentar um violino nos seus pequenos ombros, suas mães já os iniciavam na música, como um passaporte para o mundo livre, daí tantos judeus tocarem esplendidamente o instrumento.


foto de autor desconhecido

O judeu Amnon Weinstein não faz concertos, mas sim consertos em violinos que foram de músicos judeus que tocavam no Holocausto para sobreviverem... por um tempo, pois logo depois a maioria não era poupada e ia para as câmaras de gas.

Sua história é contada neste magnífico video em inglês, mas quem sabe o leitor, através do Google, poderá encontrar textos sobre sua vida e belo trabalho em português.

https://www.youtube.com/watch?v=ZwSPgERkvoc

L i n k s:

Itznak Perlman ao violino... "A lista de Schindler":

https://www.youtube.com/watch?v=ueWVV_GnRIA

Minha postagem sobre o musical "O Violinista no Telhado":

http://paulofranke.blogspot.fi/2009/03/o-violinista-no-telhado-fiddler-on-roof.html

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Basta clicar:

http://paulofranke.blogspot.fi/2014/11/indice-de-todos-os-meus-topicos.html

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Próxima postagem:


" Professores brasileiros estagiando em Hämeenlinna, nossa cidade."


20 novembro, 2014

Há 50 Anos Cursei o Colégio de Cadetes/Seminário do ES.


Com a lembrança-homenagem de uma amiga  - pelos 50 anos de nossa amizade - veio-me a idéia de postar no blog algumas fotos que nos lembrem o ano de 1964, quando juntos cursamos o Colegio de Cadetes (seminário) em São Paulo.


Tudo começou naquela noite quando eu estava em um bar com amigos na cidade de Pelotas-RS e um oficial do Exército de Salvação me ofereceu um jornal chamado "Brado de Guerra", que guardo até hoje, no qual continha este anúncio, que minha irmã leu e escreveu pedindo mais informações para o Departamento de Candidatos, no Quartel Nacional.
(Leia mais a respeito no link abaixo: "Quando, como e por que ingressei no ES")


Em março de 1964, há pouco mais de 50 anos, cheguei ao Colégio, um pouco atrasado pela Revolução que isolara o Rio Grande do Sul...


Na foto, com meus cinco colegas de turma - que foi designada "Pregoeiros da Fé" - a terceira a ocupar o novo e belo prédio do Colégio de Cadetes, na rua Caramuru, 931, no Bosque da Saúde, e a segunda turma a fazer o curso em dois anos em regime de internato.


Poucos dias depois aconteceu nossa reunião de boas-vindas no Corpo Central, no bairro da Liberdade. Calouros, unimo-nos, assim, aos cadetes que cursavam o segundo ano, os "Heróis da Fé".
Na época era o Chefe Nacional o francês Comissário Gilbert Abadie; o Secretário-em-Chefe, o Coronel Bruno Behrendt.  O Diretor do Colégio, o Major Carl Eliasen que compartilhava sua tarefa com a esposa, Mary Eliasen. Dois outros oficiais completavam o staff, Capitães Sidney de Barros Campos e Ruth Wakai, como "oficial de brigada" e "oficial da casa", respectivamente.


Fui escolhido para, na reunião de boas-vindas, falar em nome da nova turma. Muitos olhares curiosos e ouvidos atentos  para ouvirem o cadete desconhecido que vinha de longe, conforme me anunciava a Secretária da Juventude e Candidatos, Major Zulmira Benfica...


O jantar de boas-vindas à nova turma e à anterior, que voltava de seus estágios.


E assim os estudos começaram logo a seguir: Antigo e Novo Testamentos,  Doutrina do ES, História do Cristianismo, História do ES, Princípios e Métodos do ES, Conhecimentos Gerais e outras tantas matérias às quais prestávamos exames periódicos.


Os seis "Pregoeiros da Fé" em uniforme "de casa" diante do prédio do Colégio.


Meu quarto no último andar, reservado aos rapazes. Quarto pequeno, pequena decoração onde não podiam faltar lembranças gaúchas, a terra que deixei, inclusive um "pelego", tapetinho de couro. A cama me faz lembrar o que falei com firmeza: "Ainda que conste nos regulamentos que é proibido deitar-se durante o dia, eu não posso passar sem minha siesta de 20 minutos!"
 E não posso esquecer-me da foto da família distante sobre a estante, motivo de constante saudade que me fazia às vezes triste e calado durante muitos momentos naquele tempo de adaptação à nova vida. Nada me removia, entretanto, da convicção do chamado do Senhor para a minha vida.


Éramos nós, cadetes, os responsáveis pela limpeza do prédio de três andares mais o térreo, jardim e quintal; um período para isto era reservado depois do devocional da manhã - rapazes e moças, cada um no seu andar - e do café da manhã.
O mesmo "Brado de Guerra- contra todo o mal" que me fora oferecido em um bar por um oficial uniformizado, agora eu vendia com meus colegas em diversos "distritos" de São Paulo, de onde voltávamos tarde da noite.



Participação nos cultos dos Corpos em São Paulo a cada domingo, e campanhas evangelísticas, com extenso programa, faziam parte do currículo do Colégio; na foto, antes de sairmos rumo ao Rio de Janeiro, em outubro de 1964.


Esta foto foi a da campanha em Paranaguá-PR, no ano de 1965, quando cursávamos o segundo ano.


Pausa dos estudos no jardim do Colégio. Os filhos dos diretores gostavam de estar à nossa volta. O pequenino tentando abrir a porta hoje é o chefe do ES no Chile.


"Heróis e Pregoeiros da Fé" com o staff do Colégio.


Formávamos um coral, mas também tínhamos um quarteto bem afinado para louvar a Deus em reuniões ou ao ar livre!


"Dias Espirituais" eram denominados domingos especiais quando permanecíamos no Colégio e, no salão nobre, geralmente o diretor ou um visitante especial era responsável por três reuniões para nossa edificação espiritual. Na foto, a visita de um simpático oficial argentino. Jovens típicos, consagrados a Deus, sim, mas naturalmente não faltavam muitas brincadeiras. Minha amiga apontando para dois colegas estava anunciando o interesse do rapaz por uma moça da turma.



Durante o congresso de 1965, que celebrava o centenário da obra do ES iniciada na zona leste de Londres por William e Catherine Booth, todos os cadetes treinados naquele prédio - que em 1962 fora inaugurado pelo corajoso Comissário G. Abadie - as turmas dos "Servos de Cristo, Heróis, Pregoeiros e Defensores da Fé" reuniram-se para um Dia Espiritual do tipo encontro de turmas, comum em escolas. Na ocasião, o diretor usou a música popular de sucesso, "A Praça", para dar as boas-vindas aos que já estavam no campo, o que nos fez rir e a outros lembrar com saudade dos anos passados no Colégio: A mesma Praç(da Árvore, no caso), os mesmos bancos, as mesmas flores, o mesmo jardim; sede bem-vindos à vossa casa: Caramuru, 931!


Aproximando-se o término dos dois anos de estudos no Colégio, fomos dedicados e comissionados oficiais do Exército de Salvação do Brasil, recebendo, orgulhosos, as insígnias vermelhas respectivas.


Os "Pregoeiros da Fé" diante da Bíblia que nos servira de livro de devoção e estudos e que, mais do que nunca, deveria nortear nossas vidas e ministérios.

O Corpo Central de São Paulo lotado novamente, mas para a nossa formatura e despedida. E sob a regência do nosso diretor, Carl Eliasen, cantávamos pela última vez o hino de nossa turma, que fazia rimar: "Pregoeiros da Fé, sempre firmes, nada nos fará arredar o pé!"


Recitando de cor as doutrinas salvacionistas na reunião. 


Momento de oração dedicatória dos novos tenentes.


E recebendo do agora Chefe Nacional, Coronel Bruno Behrendt, nossos diplomas. Ao seu lado o Secretário-em-Chefe, Coronel Peter Staveland. E para finalizar a reunião tão importante e significativa para nós, cada um recebeu a sua "nomeação" para trabalhar em um lugar do Brasil.


Depois de férias com a família na minha cidade, em janeiro de 1966, lembro-me ainda... tomei um ônibus que me levou à naquele tempo distante cidade de Curitiba-PR e de lá a Joinville-SC (foto), aonde fui nomeado Oficial Dirigente  do Corpo que na década de 30 fora fundado por Bruno Behrendt. Meu sobrenome alemão certamente o influenciara na escolha de minha primeira nomeação (a Liga do Lar ainda era realizada em alemão e eu aprendi a cantar com as senhoras usando o hinário em alemão gótico).


Seis anos depois, em 1972, como oficial de brigada no mesmo Colégio de Cadetes, um dia conheço uma tenente desconhecida da conhecida família Hämäläinen que viera de Nova York de surpresa para visitar seus pais...


E para encurtar a história, que todos conhecem, casamo-nos em 29 de setembro de 1973 no mesmo Corpo Central de São Paulo.


Até Brasília-DF  e São Paulo, trabalhei sozinho... a partir de Curitiba até hoje servimos a Deus casados.  Duas filhas nasceram quando estávamos em Rio Grande-RS e o filho quando voltamos a São Paulo, depois de trabalharmos em Lisboa. Hoje, gozamos nossa feliz aposentadoria na cidade assinalada, a 100km da capital Helsinki.

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The last but not the least

Pensei nesta manhã que seria muito fácil fazer esta postagem, mas surpreendo-me num sentido que não foi assim tão fácil, isso porque nas fotos vejo tantas pessoas com quem convivi naqueles anos da juventude, todos com o mesmo alvo e missão de servir a Deus. Refiro-me principalmente àqueles que já não estão mais conosco, principalmente os que foram para junto do Senhor, alguns recolhidos ainda tão jovens... Emoção...
Que Ele abençoe o nosso diretor, Comissário Carl S. Eliasen, e o cubra de bênçãos e de boas lembranças do tempo quando, com sua saudosa esposa, conduziu de forma exemplar, com autoridade espiritual e senso de organização que sempre lhe foram característicos,  a tantos jovens que se ofereceram um dia para servir a Jesus Cristo no Exército de Salvação.

Há 50 anos...
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L i n k:

Quando, como e por que ingressei no Exército de Salvação:


13 novembro, 2014

A MARATONA de NOVA YORK-2014...Nosso Filho Participou = Pais Orgulhosos!

Dia de Corrida!


Maratona de Nova York (oficialmente TCS New York City Marathon) é uma corrida na distância de 42,195 km realizada na cidade de Nova York através de seus cinco bairros, fundada em 1970 por iniciativa de Fred Lebow, um corredor norte-americanonascido na Romênia e grande entusiasta de esportes e corridas de rua. Uma das maiores corridas do mundo, com mais de 40.000 participantes a cada edição, está entre as mais proeminentes corridas anuais dos Estados Unidos, junto com as maratonas de Boston e de Chicago, e faz parte do grupo de World Marathon Majors.
A prova é realizada anualmente desde 1970, sempre realizada no primeiro domingo do mês de novembro... Sua audiência mundial anual alcança 315 milhões de espectadores. (Leia mais em Wikipédia)
Em 2006 e 2008 foi ganha por um brasileiro, Marilson Gomes dos Santos.
Neste ano de 2014, 70 paises fora dos EUA participaram.


Meu filho, com a T-shirt do Superhomem, mostrando o seu número na Maratona.


O difícil trajeto da maratona.



A medalha aos participantes do ano passado. Publico aqui pelo fato de a mãe do nosso corredor, a Anneli, já ter vivido e trabalhado em Staten Island, em Manhattan e no Bronx quando tenente do The Salvation Army, ainda solteira. Do Bronx foi visitar seus pais no Brasil e nos conhecemos... há 40 anos de maratona juntos!!




Mais uma medalha para a coleção do Aaron, a primeira medalha de maratona internacional, mas certamente haverá outras!


Aqui, ele a exibe e também conta como foi a experiência:

Fim. Maratona muuuuuuito dura. Cheio de subidas e descidas e muito vento. O bom da prova era o povo nas ruas gritando e torcendo o tempo todo. Mais de 2 milhões de pessoas nas ruas. Tentei terminar em 4h mas só consegui em 4h13min e 49s, ritmo 6min/km - 10Km/h.

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Na foto acima, sua esposa e seu concunhado e amigo que  também participaram, mas como voluntários dando água aos corredores que passavam. Ela conta do frio cortante e também de que quando alguns recebiam a água parecia que iam destroncar o seu braço, mas gostou da experiência!




Sua cunhada, que vive em Nova York, foi recebê-lo na chegada para filmá-lo e mostrar no seu "vlog" (video log).

Soube pelo meu filho que muitos kgs de roupas dos corredores - que ganharam os agasalhos oficiais na chegada - foram doadas ao The Salvation Army de Nova York!


Na nossa sala, assistimos a chegada do vencedor...

... o  queniano Wilson Kipsang, com o tempo extraoficial de 2h10min59s, tendo derrotado o etíope Lelisa Desisa, que cruzou a linha de chegada com 2h11min06s. Na prova deste domingo, o também etíope Gebre Gebremariam chegou em terceiro lugar com o tempo de 2h12min13. O norte-americano Meb Keflezighi foi o melhor corredor da casa, completando a maratona em quarto lugar ao marcar 2h13min17s. Vencedor em 2013, Geoffrey Mutai foi o sexto colocado.
O Quênia levou a melhor também na prova feminina, com Mary Keitany completando a prova em 2h25min07s. A também queniana Jemima Sumgong foi a segunda colocada, com a portuguesa Sara Pereira em terceiro (Google).


A foto, da mesma maratona em 2013, mostra a ponte que liga Staten Island, a Verrazano Bridge, "recheada" de corredores.


Das fotos do ano passado, gostei muito desta: um judeu ortodoxo do Brooklyn assistindo a maratona. Associei-a aos séculos de "maratona pela sobrevivência", através de preconceito, perseguição, dificuldade e mesmo cruel extermínio, mas sempre avante empunhando a medalha da fé, a qual herdamos deste povo judeu. Como não amá-lo e abraçar a sua causa? Shalom, Israel!

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A mãe Anneli orgulhosa recebe-o após a Maratona de 2008, no Rio de Janeiro. Certamente ele herdou o sizu finlandês da mãe (palavra que pode ser traduzida por um tipo de grande força de vontade e determinação).


No pique eu fico mais para trás... mas não  fico atrás no meu orgulho, ao receber o filho na mesma maratona carioca.


Uma das minhas fotos preferidas: meu netinho "Frankinho" esperando o pai após uma corrida e correndo para abraçá-lo!


Este painel é apenas um da coleção dele - que corre a cada ano na São Silvestre - e de sua esposa, que gosta e participa do esporte, e mesmo de seus filhinhos nas suas corridas infantis.
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E falando no amado filho...


...fotografei-o no dia quando deu os primeiros passos. "Vem ver o Aaron caminhando!" ouvi o grito e corri como quem corre em maratona para tirar a foto!


Quando moramos em New Jersey e Massachusets-EUA, as crianças ganharam de presente apetrechos de ginástica.

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The last but not the least...


Testemunho
Na década de 80 começamos a perceber que a perninha esquerda do nosso filho tinha algum problema, pois o fazia mancar de leve e estava torta. Consultando um ortopedista, ficamos sabendo que o fêmur na parte que liga ao osso da bacia estava dissolvendo-se como bolacha cream-cracker.  Não me lembro mais de detalhes, mas na nossa preocupação, pedimos amigos e irmãos para orarem por ele. Uma senhora crente, que morava em Osasco, vinha em jejum limpar nossa casa orando por ele, antes de enfrentar um dia de trabalho. Com um aparelho ortopédico usado à noite, sem nenhuma reclamação da parte dele, a perninha em si voltou aos poucos ao lugar.  E o maior problema, que era a fragmentação do osso, após novo raio-x, o próprio ortopedista ficou grandemente admirado por ter voltado à normalidade. Nós sabíamos: foram as tantas orações em seu favor, a um Deus que é chamado Jeová-Rafa, o Senhor que cura!

E já faz uns bons anos, eis o filho corredor e partipante de difíceis maratonas!

Que Deus o abençoe e que nunca se esqueça do milagre que Deus operou em sua vida!

Bendize, ó minha alma ao Senhor,
 e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.

- Salmos 103:2 -

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