Paulo Franke

29 junho, 2009

Antiquário campestre - velharias que dão saudade!...




Um passeio diferente a um tipo de antiquário campestre em um grande celeiro, na zona rural da cidade de Hämeenlinna onde vivemos, transportou-me ao passado. Lembrei-me da minha colecão dos livros do Monteiro Lobato e suas aventuras no Sítio do Picapau Amarelo em um tempo muito anterior ao da série apresentada pela TV. Também das colônias alemãs gaúchas e, anos mais tarde, da belíssima zona rural catarinense ou da pequena cidade de Jacutinga, no sul de Minas, onde dirigimos um orfanato. Interessante que a música de "Ai, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais" é muito popular por aqui.

Creio que alguns leitores, mesmo os que igual a mim sempre viveram na cidade, verão beleza nas fotos abaixo e se recordarão do sítio, da roça, da casa de campo, da fazenda ou mesmo de alguns objetos antigos quem sabe usados por nossos avós e que faziam parte de seu dia-a-dia. Ou então nos lembraremos do dono do armazém da esquina ou da ferragem, do familiar leiteiro ou do funileiro, mesmo do galpão ou do sótão onde objetos do tipo eram guardados no passado de nossas vidas. Este antiquário finlandês, tão distante do Brasil, demonstra que o mundo sempre foi e é muito parecido. E as fotos com certeza falarão por si mesmas.

Vamos entrar?


Seja bem-vindo! A casa é sua!















Obrigado, e volte sempre, compadre ou comadre!!


Coleções e antiguidades


Carroça de colono, creio que ainda usada na zona rural gaúcha alemã, que fotografei no Museu da Emigração em Bremerhaven, Alemanha.
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Próxima postagem:

Hämeenlinna - onde vivemos - no verão.

26 junho, 2009

MICHAEL JACKSON - James Dean, Natalie Wood...







A morte repentina de Michael Jackson reportou meu pensamento ao mês de dezembro de 1981, quando visitamos o meu cunhado Markku que na época vivia em Kinross, Michigan. Desembarcamos em Chicago-IL, cumprimos um programa que incluíu visita ao ES e ao Moody Institute, e depois de dois dias iniciamos a viagem para o norte na região dos Grandes Lagos, precisando atravessar durante poucos quilômetros o estado de Indiana, como mostra o mapa.




Em dado momento da curta passagem por Indiana, acionei a minha câmera e tirei a foto acima do painel que anunciava a rodovia para Indianapolis, famoso lugar de corridas automobilísticas. Estávamos em Gary, a cidade dos Jackson Five, grupo de irmãos cantores que começava a fazer grande sucesso. Foi quando Marja perguntou-me curiosa:" Paulo, fotografando um caminhão de lixo? Cadê a sua imaginação?" Respondi brincando que tirara a foto acima exatamente por causa da minha fértil imaginação!...




Antes de deixarmos Indiana, pedi ao meu cunhado para parar no acostamento e ali colhi um pouco de grama e uma pedra pequena (abaixo). Nova surpresa: "Come on, Paulo, what is going on?" perguntou-me novamente . Foi o momento de explicar-lhe que eu tivera dois amigos do estado de Indiana, e queria algo de sua terra natal para lembrar-me deles, pois ambos eram falecidos.



O punhado de grama virou palha e se desfez, mas a pedrinha made in Indiana ainda tenho no armário dos meus souvenirs.




E assim, passando pelo pedágio, deixamos Indiana para trás, lugar aonde nunca mais voltei, e entramos em Michigan. A morte de Michael Jackson, porém, me fez voltar na lembrança a passagem rápida pela cidade onde nasceu. Pelo fato de na juventude eu ter gostado tanto de rock, considerei sempre extraordinário o ritmo de Michael, mesmo que sua vida tenha gradativamente se tornado descompassada, cujas extravagâncias a mídia nunca escondeu. Considero triste o fato de que seu pai zombava de seu nariz quando menino... Nunca se libertando desse trauma de infância, por certo suas plásticas eram não só para "corrigir" seu rosto mas o trauma de infância. Seus milhões de fãs, no entanto, lamentam a perda de um amigo de longa data. É mais um caso de um ser humano que foi "endeusado", mas que, sem estrutura para tal, sucumbiu.




Voltando ao Brasil alguns meses depois, fui nomeado editor do jornal do Exército de Salvação, sendo a redação do mesmo na sede nacional em São Paulo. Não tardou publiquei um artigo sobre "Os dois homens de Indiana, amigos que não conheci". Procurando sempre abordar assuntos atuais, devido à difusão do nosso jornal em barzinhos e restaurantes brasileiros, muitos puderam ler o artigo no qual mencionei James Dean, nascido em Marion, a uma milha de Fairmount, Indiana, um ídolo da juventude apaixonado por corridas - talvez por ser sua cidade próxima a Indianapolis - e que morreu acidentalmente em 1955, entre os destroços de seu Porsche. Seu sucesso perdurou até as décadas seguintes. E ainda hoje é lembrado não somente por adultos que eram jovens daquele tempo, mas também por jovens atuais fãs do cinema antigo.



Adolescente na década de 50, uma vez fui ao barbeiro com uma revista onde aparecia James Dean e pedi que cortasse o meu cabelo como o dele (quem diria!). A rebeldia de James Dean, sua insatisfação, o ser diferente, fazia a juventude identificar-se com ele, ainda que seus filmes só tivessem chegado ao Brasil após a sua morte. "Juventude Transviada" (Rebel without a cause) foi sucesso absoluto mesmo na minha cidade, e logo eu comprava o disco de vinil com a trilha sonora do filme, que ao escutar me fazia afundar em "deliciosa depressão". James Dean era um jovem rebelde, triste e solitário, e imitá-lo era o que chamaríamos hoje de charme ou um must! Dean foi um dos precursores das T-shirts, camisetas brancas usadas no mundo inteiro.



Meu período de "rebelde sem uma causa" felizmente foi breve como a passagem por Indiana anos mais tarde. O encontrar o Exército de Salvação (experiência que já contei na postagem "Quando, como e por que ingressei no ES") e aceitar a Jesus como meu Salvador e único Ídolo, tornou-me satisfeito com a vida, então transformada, tendo agora o sublime ideal de servir a Deus de todo o meu coração. O amigo carismático James Dean foi substituído por outro amigo, carismático no sentido espiritual, Samuel Logan Brengle, de Fredericksbourg, Indiana, chamado no ES de "o apóstolo da santidade". Li a edição de seu livro em português ("Para que todos sejam santos" - Editora Betânia) e logo queria ler cada livro seu em inglês, mesmo quando o meu inglês não era tão fluente. Queria, sim, devorar os assuntos de vida profunda com Deus, tema dos livros do meu "outro amigo de Indiana". A palha se foi, "... como a palha que o vento espalha" (Salmo 1:4), a rocha ficou... "... e lançou o alicerce sobre a rocha" (Lucas 6:48).






Ainda que a filha de imigrantes russos, Natalie Wood, tivesse sido atriz-mirim, só a conheci no filme "Juventude Transviada". Logo escrevi ao estúdio da Warner Brothers e com alegria recebi sua foto, não autografada como as dos demais artistas, mas com um bilhete impresso falando de seus próximos papéis, relíquia que guardo até hoje.



No mesmo mês em que visitei - a primeira e última vez - a Califórnia, semanas depois da rápida passagem por Indiana, um amigo de Los Angeles levou-me a visitar as "casas das estrelas" a maioria em Beverly Hills. Quando, conforme o mapa que localiza os Star Homes, vi que passávamos pela 603 Canon Drive, pedi que parasse e me fotografasse diante da casa de Natalie e Robert Wagner. Ela morrera na semana anterior, e os carros estacionados no jardim da casa certamente eram de amigos do casal.




E no Chinese Theater fotografei as marcas das mãos e pés de Natalie no cimento, além das de outros artistas conhecidos do meu tempo de "cinemeiro".





E o roteiro daquela viagem aos EUA, que iniciou em Chicago-IL, passou por Gary-
IN e por São Francisco e Los Angeles-CA, agora me levava rumo à Austrália, com escala no Havaí. E ao contemplar pela primeira vez o Oceano Pacífico, fui surpeendido com a voz do comandante, poucos minutos depois da decolagem...



... anunciando que sobrevoávamos a ilha de Santa Catalina, exatamente onde na semana anterior morrera Natalie Wood junto ao seu iate.



"Chão de Estrelas" ou "Meus ídolos de areia" foi um artigo que comecei a escrever na Austrália e publiquei ao voltar para o Brasil. Meus ídolos de areia cedo partiram... James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, que morreu assassinado, os três participantes do filme que incendiou a minha imaginação de adolescente e que me mandaram fotos. E ainda a bela italiana Pier Angeli, que se suicidara surpreendendo e entristecendo seus fãs. Sem nunca ter sido fã de Michael Jackson, posso imaginar no entanto a tristeza que lhes vai no coração. (O encontro de Gloria Swanson com Deus, abaixo na mesma página, publicarei em breve neste blog).



Um dia antes da morte de Michael, morreu de uma prolongada batalha contra o câncer a belíssima Farrah Fawcett.


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Se há algo que gostava de publicar nos meus antigos jornais e que gosto de repetir neste blog é o "Será este o filme de sua vida?". Para reflexão, o faço mais uma vez:





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L i n k s:


Visitando Hollywood



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A fotos de nossos artistas favoritos (Do estúdio à porta de nossa casa).








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Elvis Presley e Pat Boone, nos embalos dos anos cinquenta.



16 junho, 2009

Navios e o HOLOCAUSTO (Filme "A viagem dos condenados")


A Alemanha ocupou a Dinamarca e a Noruega em 9 de abril de 1940. Quando lá estive no ano passado, hospedei-me em Bergen na casa de um colega cujo pai foi para o campo de concentração de Bergen-Belsen, que eu havia visitado semanas antes (ver De trem pela Europa - Bergen-Belsen).

2000 judeus noruegueses foram acrescentados à lista dos a serem deportados e mortos. Suas propriedades foram confiscadas. Felizmente, cerca de 1000 judeus encontraram abrigo na vizinha Suécia.



Na manhã de 26 de novembro de 1942, 532 judeus noruegueses foram forçados a embarcar a bordo do navio alemão SS Donau, que partiu de Oslo para a Alemanha e então para Auschwitz, na Polônia, onde a maioria dos homens foi selecionada para trabalho escravo, enquanto que os velhos, mulheres e crianças foram imediatamente para as câmaras de gas. Somente 24 sobreviveram.

Herman Sachnowitz foi um dos judeus noruegueses que sobreviveu ao Holocausto. Ele descreve o choque da deportação, o qual resumo abaixo:

Chegamos a Oslo ao meio-dia. Muitos noruegueses amigos dos judeus estavam também no cais. E vi a 8 metros o SS Donau, de Bremen, o navio-escravo. Ao embarcar um homem gritou desesperadamente pelas mulheres e crianças, que lutavam sem esperanças contra um tratamento brutal por parte dos soldados nazistas. ... E ali despedímo-nos da terra onde crescemos, no meio de um povo que tinha o primeiro mandamento, sobre amar o próximo, como lema de vida. Botas brutais davam pontapés em velhos, mulheres, crianças e em grávidas... E no meio disso tudo ainda posso ver uma fila de homens e mulheres de idade, enfraquecidos, caminhando com as cabeças baixas, para o que eles sabiam, uma inevitável fatalidade. Eles sabiam mais do que nós, jovens, pois conheciam a história de nosso povo: eles já estavam mortos.

Fonte: "Tell your children"




Depois da Noite dos Cristais, em novembro de 1938, muitos judeus alemães decidiram que era hora de partir, como muitos haviam feito anos antes. A foto real foi extraída do "Tell your children" (Conte aos seus filhos) no tópico "As democracias fecharam suas portas".


Em 13 de maio de 1939, cerca de 1000 judeus, fugindo da perseguição nazista, deixaram o porto de Hamburgo a bordo do navio alemão St. Louis. O destino: Cuba, que se recusou a deixá-los entrar. Tentativas de serem recebidos nos Estados Unidos também falharam. Um mês depois que deixarem a Europa, tiveram que retornar, chegando a Antuérpia em 17 de junho. Nenhum país fora da Europa abriu -lhes as portas. Ainda que eventualmente alguns tenham ido para a Inglaterra, a maioria acabou nas mãos dos alemães que os enviaram para serem exterminados nos campos de concentração.



O capitão Gustav Schroeder fez a seguinte nota no seu diário de bordo:

Há uma nervosa disposição entre os passageiros. A despeito disso, cada um parece convencido de que nunca mais verá a Alemanha outra vez. Tocantes cenas aconteceram ao embarcarem. Muitos parecem ter corações leves, outros consideram algo muito pesado terem de deixar seus lares. Mas o tempo bonito, o ar puro do mar, boa alimentação e serviço atencioso a bordo logo proverá uma atmosfera de despreocupação entre os passageiros. As impressões doloridas em terra desaparecem rapidamente no mar e logo parecem meramente sonhos. (Às 20h00 daquele sábado, 13 de maio, o navio partiu)


O SS St Louis cercado por pequenas embarcações no porto de Havana.



O mapa mostra a rota de ida - e volta - do SS St Louis.

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A dramática história foi tema do filme "Viagem dos Condenados" (Voyage of the Damned).



Artistas famosos no elenco do filme com a legenda "A incrível história do navio que envergonhou o mundo".

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L i n k s


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Viagem St Louis ou Tragédia St Louis
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Minhas postagens sobre o Holocausto:

13 junho, 2009

"A ver navios?" Não, os navios que eu vi!

"Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens" (Marcos 1:17)

Foto recente de minha filha Deborah.

"Solta o cabo da nau, toma os remos nas mãos, e navega com fé em Jesus!"

Foto recente de minha filha Martta.


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Ou ainda um outro título para esta postagem:


"Fatos e fotos extraídos do diário de bordo de nossa vida"


E nele a história dos antepassados, turismo, mudança de país, cumprimento de chamados ou simples curiosidades relacionadas a navios (com algumas fotos já utilizadas em outras postagens).

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"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:'Não há mais o que ver', saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

(José Saramago)
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"Eis o mar vasto, imenso... por ele transitam os navios..."
(Salmo 104:25-26)
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País de miscigenação, os ancestrais dos brasileiros - com exceção dos indígenas - utilizaram barcos para chegar ao Brasil, em diferentes épocas e circunstâncias.
Nossos antepassados europeus não mantiveram o seu sonho de emigrar trancado em uma garrafa, mas corajosamente deram o passo e se aventuraram pelo grande mar, em embarcações precárias da época, chegando assim ao Brasil.



No meu caso, imigrantes alemães, na segunda leva dos que chegaram ao Brasil, desde o porto de Hamburgo (prato) em 1825, e imigrantes portugueses do continente e das ilhas dos Açores, a partir do ano de 1750 (Postagem "Minhas raízes na Alemanha").



Em barcos como este os emigrantes alemães levavam mais de dois meses a atravessar o Atlântico.


Quadro de Ernst Zeuner sobre a chegada da primeira leva de imigrantes alemães em 25.07.1824, às margens do rio dos Sinos, na cidade de São Leopoldo-RS. Meus ancestrais chegaram 7 meses após.

Na ilha de São Miguel, nos Açores, visitei o museu da emigração, lembrando-me de que muitos brasileiros, não somente de Santa Catarina, descendem de açorianos (Postagem "Visita à Ilha de São Miguel-Açores").


Eles partiram do porto de Hamburgo - ou Bremerhaven - rumo ao Brasil (veja link abaixo). Adquiri o postal em visita ao porto de Hamburgo. Detalhe: quando chega um navio, o porto o saúda com o respectivo hino nacional em potentes alto-falantes. No momento da minha visita chegava um navio da Polônia.



Doces lembranças...


Meu pai, descendente de alemães, portugueses e açorianos, com seu irmão construiu um barco. Estará ele na foto tocando "La Barcarole" enquanto navega na praia do Laranjal, na Lagoa dos Patos, Rio Grande do Sul, a maior lagoa do Brasil? Quando éramos pequenos, comprou uma lancha e era o nosso passeio de fins de semana navegar principalmente pelo arroio Santa Bárbara ou pelo canal de São Gonçalo, que liga as Lagoas dos Patos e Mirim, em Pelotas-RS.




A bela praia do Laranjal hoje. O barcos continuam, e agora também os windsurfs.

E as lembranças vão mais longe ainda... de quando meus pais viajavam Pelotas-Porto Alegre na Lagoa dos Patos pelo "vapor" Cruzeiro, com direito a orquestra tocando "... Está chegando a hora! O dia já vem raiando, meu bem, e eu tenho que ir embora." E pernoitavam a bordo, enquanto que hoje a distância entre as duas cidades é de cerca de 3 horas de carro ou ônibus, não tão romântico.

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Do outro lado do mundo, em um lago da Finlândia, Anneli, entre sua mãe e irmã mais velha, senta-se em um barquinho antes da grande viagem marítima que faria a família, em 1953, indo seus pais como missionários salvacionistas finlandeses para o Brasil.




"Menkää kaikeen mailmaan" = "Ide por todo o mundo" (Marcos 16:15) - o postal de despedida da corajosa família (uma tia preocupava-se de que as crianças cairíam no mar...).



Em 1958, com 10 anos, Anneli segurando a bandeirinha do Brasil, prestes a embarcar para as primeiras férias missionárias de seus pais à sua terra natal, depois de cinco anos de trabalho no nosso país. Colegas foram ao porto do Rio de Janeiro despedir-se da família, que viajou até a Itália e continuou a viagem até a Finlândia de trem.


Em 1964 foram novamente em férias missionárias para a Finlândia, sendo que Anneli, com 16 anos, não voltou mais com seus pais para o Brasil. Viveu na Inglaterra, na própria Finlândia e nos Estados Unidos.

Achei um porta-retrato com motivo de navio e nele coloquei a hoje vovó de 6 netinhos junto às fotos deles, 3 dos quais nascidos na mesma terra em que ela nasceu.



Em 1969 trabalhei na cidade de São Gonçalo-RJ e tomei incontáveis vezes a barca para atravessar a baía, de Niterói para o Rio de Janeiro. Nessa ocasião fotografei o contorno da Cidade Maravilhosa. Terá o autor do hino nacional se inspirado nessa paisagem para escrever o "... gigante pela própria natureza" ou o "...deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo"?




Em 1968, trabalhando na cidade de Campos-RJ, vim ao Rio servir de cicerone a dois salvacionistas ingleses que tocavam na banda do iate Britânia que trouxe a Rainha Elizabeth e sua comitiva pela primeira vez ao Brasil (Postagem "Londres...").




Em 1974, já casados, e até o final de 1976, trabalhamos na cidade portuária de Rio Grande-RS, onde nasceram nossas duas filhas. Uma das minhas atividades era visitar navios cargueiros de diversos países ancorados no porto. Contatava o pessoal de bordo, vendia-lhes nossa literatura em inglês, arrecadando com isso fundos para a obra, e muitas vezes os buscava para assistirem as atividades para jovens no Exército de Salvação local.


A chegada de navios finlandeses era uma oportunidade para tomarmos banho de sauna típica! E, na ocasião da foto, jantarmos na cabine do comandante.




Sabendo-nos na Flórida, em 1977, o amigo inglês - usado por Deus para trazer-me para o Exército de Salvação - pagou-nos a passagem para visitá-lo e à sua família em Nassau, nas ilhas Bahamas. E um dia convidou-me para patrulhar com ele a ilha em uma lancha inflável de socorro.





"Eu me meto em cada uma!!"



O iate de Niarchos, primo do armador grego Onassis, estava ancorado do outro lado, e pode ser visto nas duas fotos anteriores também.





No ano seguinte, 1978, fomos nomeados para servir em Portugal. A Torre de Belém, à beira do rio Tejo, em Lisboa, data do tempo dos descobrimentos.




Naquele ano, visitou Portugal o navio Doulos, da Operação Mobilização (OM), que possui navios-bibliotecas que percorrem o mundo fazendo reuniões evangelísticas a bordo. Jovens de diversos países passam um tempo trabalhando no navio. Na época, o capitão do navio era um americano chamado Frank, que tinha uma esposa finlandesa chamada Anneli... Sabendo da coincidência dos nossos nomes, convidaram-nos para jantar em sua cabine.




Em um certo dia levamos parte das crianças da nossa escola dominical de Lisboa para assistirem a um programa infantil a bordo e visitarem o navio. O mesmo navio, anos mais tarde, visitamos no porto de Santos e o Logos II em Helsinki.




Em dezembro de 1981, em caminho para um curso na Austrália, fiz escala em Los Angeles e fotografei o Queen Mary, ancorado permanentemente no porto de Long Beach. Hoje um hotel, tem a fama de ser assombrado, quem sabe para com isso atrair clientes.




Nova escala, agora no Hawai. Ao decolar, vi nitidamente o USS Arizona submerso após o ataque surpresa a Pearl Harbor. Sobre ele foi construído um memorial onde há um muro com os nomes de mais de 1.100 homens que pereceram, em dezembro de 1941 (Postagem "Uma experiência havaiana").





Em 1985, vivendo nos Estados Unidos, participei de uma viagem de estudos a Israel com colegas americanos. Na foto, nosso barco parou no meio do Mar da Galiléia e tivemos um momento devocional marcante.





A tempestade no mar, o milagre da multiplicação dos pães e peixes, o casamento em Canã, o lugar das bem-aventuranças e outros episódios bíblicos do Mar da foram lembrados com emoção ao navegar naquelas águas (Postagem "Terras bíblicas por onde andei").





Em 1987, sentimos ambos o chamado de Deus para trabalhar na Finlândia, terra natal de minha esposa. Recebendo uma resposta negativa do Exército de Salvação para partir, desligamo-nos por cinco anos. Tínhamos somente o chamado que queríamos obedecer. Quando um homem que conheci em um acampamento da Igreja Maranata, do Pr. Paulo Brito, no Rio, apresentou-se a mim como um dos diretores de uma companhia marítima que fazia a rota Brasil-Escandinávia e doou-nos as passagens para viajar, gratuitamente, aquilo para nós foi o sinal de que Deus estava naquele passo que tomamos, de fato a aventura mais arrojada que já enfrentei na vida.




Assim, despedímo-nos dos parentes no RS e em SP e viajamos, em 1989, pela fé, da cidade de São Francisco do Sul-SC até Oslo, na Noruega (postais), durante 17 dias pelo navio cargueiro alemão Lapland. Anneli desde criança já havia viajado pelo mar cinco vezes; para nós, o restante da família, era a primeira vez.


Visita à torre de comando e passando diante das ilhas de Cabo Verde.




Nosso filho, ouvindo dos tripulantes que garrafas dão na praia, escreveu uma mensagem em português ao passarmos por Cabo Verde, e atirou-a ao mar.




Na piscina do navio, com meu violão cantando "Eu navegarei no oceano do Espírito" diante do desconhecido que envolvia a nossa primeira viagem à Finlândia... Olhando o pôr-do-sol em alto-mar.




Passando pela linha do Equador, cada um de nós recebeu um diploma. Encarei aquilo como um "diploma de coragem", mesmo com os joelhos tremendo (estávamos enfrentando uma grande aventura-desafio: irmos viver na Finlândia, sem o respaldo do ES)!




A caravela que faz lembrar-me de meus antepassados que fizeram a travessia pelo Atlântico, também em navio alemão, em direção oposta à nossa, mais de 150 anos antes de nós.




E mencionando antiquidade... em Oslo visitamos um navio viking preservado em um museu. Anos mais tarde visitaríamos também o navio viking Vasa, em Estocolmo.




Vivemos por quase quatro anos na ilha de Åland, província da Finlândia de língua sueca, situada entre os dois países. Era a vez de todos nós aprendermos a nova língua sueca.






Vivendo em uma ilha, mais perto da Suécia do que da própria Finlândia, tendo ao norte o mar Botnia e ao sul o mar Báltico, o mar se tornou familiar para nós, também por ele viajar. Os homens da casa, nas primeiras férias do meu trabalho - como operário em uma fábrica de brinquedos! - fizemos um mini-cruzeiro a Estocolmo pelo navio de uma companhia da ilha, o Birka-Princess.






Típicas paisagens da ilha de Åland, que em finlandês se chama Ahvenamaa.




Pela companhia sueca Viking Line visitamos mensalmente, mesmo no inverno rigoroso, uma igreja - Livets Ord - na cidade de Uppsala, na Suécia, cuja costa ficava a somente 3 horas da ilha, enquanto que a Finlândia a 9 horas, pelas milhares de ilhotas que formam um grande arquipélago, precisando o navio percorrer uma rota bem mais complicada e, portanto, mais demorada.


Depois de quatro anos, voltamos para o Brasil, fixando-nos em Pelotas-RS onde fizemos trabalho evangelístico em uma casa alugada no centro da cidade como também de porta-em-porta. Dali reingressamos novamente no Exército de Salvação, sendo nomeados para dirigir um Lar de Meninos na cidade de Joinville-SC.



O chamado para a Finlândia foi renovado por Deus - para surpresa minha - durante uma conferência a que assisti em 1995 , em Suzano-SP. Nova recusa por parte do então líder do Exército no Brasil que nos havia nomeado no departamento editorial e de traduções da sede nacional em São Paulo, e parecia satisfeito com o nosso trabalho. Também nós gostávamos tanto do que fazíamos que deixamos tudo nas mãos de Deus para Ele decidir o tempo certo de nossa transferência. Isso aconteceu em 1999, quando um novo chefe foi instalado e perguntou-nos: "Vocês ainda gostariam de ir trabalhar na Finlândia?" ...




Viajamos, na segunda fase, em agosto de 1999. Dos 10 anos em que aqui estamos, em 8 trabalhamos na capital Helsinki, no postal com suas belas marinas.



Nas minhas primeiras férias de verão, cumpri o antigo sonho de ir à Alemanha em busca de minhas raízes (postagem "Minhas raízes na Alemanha"). Tomei o ferry-boat da companhia finlandesa Silja Line, que fez uma escala em Tallin, na Estônia, e viajei até Rostock, na Alemanha, uma viagem que durou 24 horas.





O navio enfrentou uma terrível tempestade no mar Báltico, lutando por quase duas horas contra as ondas que cobriam completamente as janelas acima, que ficam no compartimento no alto do navio, chamado Panorama, onde dormiam, em cadeiras ou no chão, os turistas pobres (entre eles, eu). Duas moças apavoradas prometeram, se fôssemos salvos, visitar nossa igreja em Helsinki, promessa que cumpriram semanas mais tarde. Nunca me esqueço de um rapaz no compartimento em plena tempestade usando uma camiseta do filme Titanic e desfilando com ela para reforçar o susto de alguns passageiros... Oito anos antes naufragara o ferry-boat Estonia, naquele mesmo mar.



Felizmente, o mar se acalmou e fiz uma muito bem-sucedida viagem às minhas raízes na Alemanha. O mar se acalmou, mas a minha vontade de viajar não... Nas férias do ano seguinte, Anneli levou-me ao porto para tomar o belo navio da foto que me levou à minha primeira InterRail global, isto é, viajar de trem pela Europa. Fui a 13 países em 21 dias, um recorde!! Curiosamente, a geografia da Finlândia fez com que eu iniciasse no norte a viagem "de trem" em navio, tomando o trem na Suécia.




Atravessei da Itália para a Grécia também de navio e no porto de Pireus, perto de Atenas, tomei o barco rumo ao sul, passando pelas ilhas gregas durante 9 horas e chegando ao meu destino, a ilha de Patmos, onde o apóstolo João escreveu o livro de Apocalipse, grande experiência!





No retorno à Finlândia, uma novidade já mencionada neste blog: o trem da Alemanha para a Dinamarca literalmente entra neste navio da Scandlines. Os passageiros do trem sobem ao navio e, feita a travessia, voltam ao trem que prossegue viagem pelos trilhos.




Viajamos na segunda vez sozinhos para a Finlândia, sentindo imensa saudade dos nossos filhos e naquele tempo dos dois netinhos que havíamos deixado no Brasil... Mas Deus chamou nossas duas filhas casadas para trabalharem também neste país. Nosso filho não veio morar e trabalhar, mas a passeio diversas vezes, inclusive no Natal do último ano, com sua esposa e filhinho. Na foto, com a mãe diante de um estaleiro finlandês na primeira vez que nos visitou.



A Finlândia possui 6 navios quebra-gelos. É o único país do mundo que possui tais navios que oferece uma viagem turística enquanto quebra gelo!





Ferry-boats da Viking Line que ligam a Finlândia à Suécia e vice-versa. Cruzeiros nesses navios são populares e não caros, dependendo da cabine que se escolha. Brasileiros chamam a travessia de "bate-e-volta", isto é, quando vão de um porto a outro sem sair do navio, uma opcão barata.





"Empurrado" por minha filha, de costas, arrisquei cantar "Only you" no karaoke do navio finlandês da Silja Line.




No grande hall do mesmo navio, com nosso filho que nos visitava e que quis rever a capital sueca e praticar o idioma que ele aprendeu na escola em Åland.


Regatas na bela Estocolmo.



Um cruise para comemorar o Natal em família, em 2004.




Quem não tem lancha passeia de bote, uma constante nos milhares de lagos durante o fugidio verão finlandês (no momento desta postagem, fazendo 12 graus positivos, em pleno verão...)





Gosto desta foto de paisagem finlandesa, tirada por minha filha Martta, enriquecida pelo detalhe do barco.



Depois vieram as viagens à belíssima Turquia... com paisagens marítimas, tanto em Alanya quanto em Marmaris, de fazerem "cair o queixo" (Postagem "Porque gosto tanto da Turquia").



E ao Egito... Nesta foto, navegando pelo Mar Vermelho, e ao meu lado um rapaz egípcio com um olhar enigmático. Indescritível a cor do mar!



A travessia do rio Nilo, em Luxor, foi curta, mas já dá pra dizer que nele naveguei. E da embarcação avistamos o hotel - no centro da foto -onde Agatha Christie hospedou-se e foi inspirada a escrever seu famoso "A morte no Nilo", um de seus contos passados a bordo de um barco que fazia turismo pelo Nilo (Postagem "No Agito do Egito").





Curiosamente, em antigas igrejas escandinavas há barcos pendendo do teto, associando barcos à profissão de pescadores de alguns discípulos de Jesus. E, penso eu, fazendo-nos lembrar de que somos passageiros nesta vida.



O "Titanic" afundando em uma garrafa... (Postagem recente sobre "O Titanic e o Exército de Salvação)



"Tente outra vez". Gosto desta foto com uma mensagem-alavanca de esperança e ânimo aos que, por alguma razão, encalharam na viagem por esta vida, ou "naufragaram na fé" como diz a Bíblia. Se este é o caso de algum leitor, dedico o conhecido hino: "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai! Não temas, segue adiante, e não olhes para trás!"



Finalizando, um convite de uma publicação salvacionista da década de 40, com ilustração acima do Krigsropet:



EMBARQUE JÁ!


Nome do barco: Evangelho


Nome do Piloto: JESUS


Bandeira: O sangue de Cristo


Data do embarque: Hoje


Passagem: O perdão dos pecados


Preço: Gratuito


Lugar de partida: A cidade da perdição


Porto de chegada: A Nova Jerusalém


Tripulacão: Os apóstolos


Passageiros: Os pecadores remidos


Bússola: A Bíblia Sagrada


Farol: A fé em Deus


Âncora: A esperança


Leme: A verdade


Forca: O Espírito Santo


Sustento: A graça divina.


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Links:


Museus da Emigração em Bremerhaven e Hamburgo, de interesse para os brasileiros descendentes de alemães cujos ancestrais seguramente viajaram a partir de um desses portos.

http://paulofranke.blogspot.com/2008/08/de-trem-pela-europa-11-bremerhaven-e.html


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Saiba mais sobre turismo em navios quebra-gelos:

http://www.visitfinland.in/index.php/2008/11/10/finland_holiday_ice_breakers_and_ice_hot