Paulo Franke

27 agosto, 2014

Cine Theatro AVENIDA em Pelotas-RS - os 2 cinemas da Avenida...


Passei pelo "primeiro cinema" de minha vida, na Avenida Bento Gonçalves, na última vez em que fui a Pelotas-RS, em anos recentes. A porta, antes envernizada e com linda cortina, agora tinha mostras de envelhecimento, mas os azulejos marrons com friso verde ainda parecem conservados.


Deixem-me explicar melhor...  Meu pai comprou a casa no final dos anos 40 e lá nossa família viveu até 1954, quando então nos mudamos para a que ele mandou construir, na quadra seguinte. 
Homem de muitos passatempos, embora trabalhasse arduamente como vice-diretor do Curtume Julio Hadler S/A, seu favorito na época era o de cinegrafista. Daí mencionar o meu "primeiro cinema na Avenida", pois suas projeções de filmes do cinema mudo eram famosas, principalmente para a família, tios e amigos que traziam seus filhos, dezenas ao todo, para os nossos aniversários, que culminavam de modo geral com projeção de seus filmes. 


"Pathé desde a infância para nós não significava o que se passava no pão, mas o que se passava na tela/screen dos filmes do meu saudoso  pai. Por não caberem todos na sala, ele colocava a tela entre a sala e a sala de jantar (copa)... os adultos assistiam aos filmes na copa e a criançada barulhenta do outro lado da tela, na sala. 



No Museu da Emigração, em Bremerhaven, Alemanha, assisti novamente ao filme "O Emigrante", de Charles Chaplin, sendo a "mocinha" a bela Edna Purviance, parceira de muitos filmes do "Carlitos" cuja grande coleção meu pai tinha em casa, mas não todos os filmes produzidos por ele ou nos quais estrelou, naturalmente. "The Emigrant" era um dos meus preferidos na infância - sintomático de que eu viajaria muito e moraria no exterior...? - e esta cena era a própria de suspense para a gurizada. O filme, como os demais, era mudo, mas o barulho da "audiência", principalmente a sentada no chão da sala, era ensurdecedor diante das peripécias de Chaplin e de outros como o "Caralinda", "Harold Lloyd" etc. (meu pai produzia seus próprios filmes com cenas familiares e das viagens que fazia pelo Brasil).


Hoje somente alguns filmes de sua grande coleção estão comigo, mas a maioria com meu irmão mais novo, que os passou para video e distribuiu os originais entre os quatro irmãos. Algumas capas, levemente enferrujadas, estão lado a lado na estante de nossa atual sala com DVDs modernos de filmes antigos (aficcionado por cinema nos anos 50, hoje assisto somente a selecionados filmes modernos, e raramente). Nos porta-retratos, Carlitos com o cãozinho e eu com Victoria Chaplin, quando a encontrei e fomos fotografados juntos após um show circense que fez em Helsinki (ver link).

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Então este foi o meu primeiro "cinema", dentro de minha própria casa, nos tempos felizes da longínqua infância... na Avenida.

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Esta é a Avenida Bento Gonçalves, onde moramos em duas casas, que, pena, não aparecem na foto aérea, excelente e recente, de Rafa Marin Fotografia.


Em uma das muitas vezes em que voltei a Pelotas, tirei esta foto do Cine Theatro Avenida, que ficava a poucas quadras de nossa casa e pode ainda ser visto na parte inferior da foto da Avenida.  Era o cinema do bairro, muito frequentado, e lembro-me de seu enorme espaço totalmente lotado. Não me lembro exatamente do primeiro filme a que assisti, menino, no "Avenida", mas lembro-me do "luto" que nos era imposto quando um velho da família morresse (e como havia velhos na nossa família!): 20 dias sem ir ao cinema... Nas recordações, os shows de cantores da Radio Nacional do Rio de Janeiro... Ângela Maria, Cauby Peixoto, Jorge Goulart, Nora Ney, Emilinha Borba, Marlene e a dupla que víamos nas imperdíveis chanchadas da Atlântida, Eliana e Adelaide Chiozzo. Frio e chuva não nos impediam de esperar a saída deles após o show para vê-los de perto.


Hoje, os "antigos badulaques cinematográficos" enfeitam nossa estante da sala aqui no sul da Finlândia, como lembrança de que fui "introduzido aos estúdios", alguns que visitei em Hollywood,  pelo Cine Avenida, de saudosa lembrança.
Por que saudosa, o cinema fechou?
A reportagem do DIÁRIO POPULAR, que me foi enviada bem recentemente por uma conterrânea amiga no Facebook, conta o que acontece com o Cine Teatro Avenida. Parabéns à jornalista Daiane Santos pela fantástica reportagem que certamente tocou o coração de muitos frequentadores, inclusive o meu no norte do mundo, mas com recordações do sul do mundo tão vivas e gratas...
Ao DIÁRIO POPULAR, o meu agradecimento por transcrever a preciosa reportagem.

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Durante anos a casa de espetáculos intercalou apresentações teatrais com projeções cinematográficas (Foto: Carlos Queiroz - DP)
Durante anos a casa de espetáculos intercalou apresentações teatrais com projeções cinematográficas (Foto: Carlos Queiroz - DP)
Estrutura está abandonada, à mercê do tempo (Foto: Carlos Queiroz - DP)
Estrutura está abandonada, à mercê do tempo (Foto: Carlos Queiroz - DP)

As janelas bloqueadas por concreto do Theatro Avenida - localizado na avenida Bento Gonçalves, quase esquina com a Santa Tecla - escondem um passado repleto de vida e história. Apesar disso, a fachada deteriorada do antigo prédio é um sinal da tristeza que tomou conta do lugar, importante centro cultural de Pelotas durante quase todo o século 20.
Construído em estilo art déco na metade da década de 1920, o teatro foi inaugurado em 3 de julho de 1927 com exibição do filme Cavaleiro audaz, estrelado por Buck Johnes, famoso ator da época. De teatro foi transformado em cinema, depois danceteria e por fim em igreja, fechando suas portas em definitivo no início dos anos 2000. Desde então, a estrutura está abandonada, à mercê do tempo.
Um passado marcante
Durante anos a casa de espetáculos intercalou apresentações teatrais com projeções cinematográficas, incluindo sucessos do cinema mudo como a película O filho do sheik, último filme do ator hollywoodiano Rodolfo Valentino, morto em 1926. A Companhia Brasileira de Comédias Álvaro Fonseca também integrou a programação do Avenida com a peça cômica A dama dos cinemas.
Dez anos após a fundação, em 1937, o Theatro Avenida foi transformado definitivamente em cinema, com capacidade para 2.265 espectadores. Ainda assim, shows de mágica e hipnotismo eram comuns em meio às sessões. Lá pelo final da década de 1960, o antigo prédio foi comprado pelo grupo Arcoflex, dono da rede Arco Íris Cinemas, que até hoje é a proprietária do espaço histórico.
Futuro incerto
Sem perspectiva de reforma, atualmente o Theatro Avenida está disponível para locação, conforme um dos proprietários, o empresário Mario Luiz dos Santos. Segundo ele, somente assim a estrutura poderá ser recuperada, já que o grupo não tem interesse em revitalizá-lo. “Em todo o país, os cinemas de rua foram fechando e em Pelotas isso não foi diferente.” Desde 2004, o prédio está fechado e vazio. Móveis e estruturas internas acabaram estragando e foram para o lixo.
Recentemente, surgiram propostas para locação do espaço como casa de shows, no entanto, a possibilidade ainda não foi confirmada. “Temos outros prédios que eram cinemas na cidade e foram transformados em outro tipo de negócio. É a realidade do mercado”, considera Santos, referindo-se ao antigo cinema Capitólio, transformado em estacionamento.
Pelotas cinéfila
Na época em que o Theatro Avenida foi fundado - 1927 - Pelotas tinha aproximadamente 82 mil habitantes e estava entre as oito cidades brasileiras de maior renda municipal. Quando o Avenida foi transformado em cinema, a população pelotense já havia saltado para 120 mil pessoas, segundo boletim estatístico de 1939. Só naquele ano, o teatro exibiu 365 espetáculos, vistos por 127.870 pessoas, ficando atrás apenas do Theatro Guarany com 442 apresentações e público de 260.252.
O Avenida foi um dos primeiros cinemas pelotenses a serem adaptados para exibir filmes em tela larga. Conforme a mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural Francine Tavares, mais do que ver filmes ou peças teatrais, naquele tempo as pessoas iam ao cinema ou ao teatro para interagir socialmente, verem e serem vistas. Nesse universo de efervescência cultural e social, teatro, cinema e corridas de cavalos eram as atividades preferidas da população.
Com o passar do tempo e o aumento da concorrência - na década de 1950 Pelotas tinha 12 salas de exibição -, o cine-teatro Avenida começou a perder público. Adquirido pela Arcoflex, o Avenida chegou a ser reformado em 1972, mas a iniciativa não trouxe o retorno esperado. Depois disso, o cinema passou a exibir filmes cuja temática se concentrava em lutas e artes marciais, até projetar suas últimas imagens no dia 30 de setembro de 1984.
O começo do fim do Avenida
Após encerrar as atividades como cinema, novos locatários - Jorge e Eduarda Oliveira - tentaram dar novo fôlego ao Theatro Avenida. No segundo volume da série Pelotas - Casarões contam sua história, a historiadora Zênia de León afirma que a ideia era voltar a usar o espaço como teatro, além de promover a cultura e o lazer na cidade.
Em 1985, um grupo teatral - a Companhia Tragicômica Theatro Avenida - chegou a ser formado, sem muito sucesso. Integrada por Joca D’Ávila, Liliane Duarte, Gê Fonseca, Giorgio Ronna, Carmem Vera e João Bachilli, a falta de incentivo e estrutura acabou atrapalhando a iniciativa. “Ensaiamos umas duas vezes no Avenida e por falta de apoio desistimos”, relembra o atual secretário de Cultura de Pelotas, Giorgio Ronna.
Para ele, o espaço, ao distanciar-se das artes cênicas, se tornou importante centro da cultura pop pelotense. “Vi bandas importantes subirem ao palco do Avenida. Legião Urbana, Blitz e Kid Abelha são apenas alguns exemplos.” A vocação como point musical da cidade se confirmou e o prédio acabou se tornando uma danceteria e casa de shows, por onde passaram bandas reconhecidas nacionalmente.
No dia 12 de junho de 1985, por exemplo, mais de quatro mil pessoas lotaram o Avenida durante o show da banda de rock Paralamas do Sucesso. Iniciavam também os tempos do Mamão com Açúcar, festa realizada nas tardes de domingo voltada a jovens e crianças. Apesar da nova vocação, algumas raras apresentações teatrais ainda ocorriam. É o caso da famosa peça Os saltimbancos, do cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda; e do balé folclórico da antiga União Soviética.
Na década de 1990, o local continuou sendo usado para festas e eventos, inclusive como sede de igreja. A primeira metade do século 21 viu nova tentativa de reerguer o espaço, com a realização de shows, porém, o projeto não deu certo e as portas do Theatro Avenida foram fechadas e suas janelas lacradas. Hoje, o prédio encontra-se abandonado e sem muitas perspectivas futuras, assim como vários outros prédios históricos da cidade.
Toca Raul
Em 16 de junho de 1989 o Avenida foi palco do que pode ter sido o último show de Raul Seixas em solo gaúcho. O cantor e compositor morreu no dia 21 de agosto daquele ano, após sofrer uma parada cardíaca em casa. Além deste ícone da música popular brasileira, passaram pelas luzes do Avenida as bandas Ultraje a Rigor, Roupa Nova, Garotos da Rua, Engenheiros do Hawaii; o pianista Artur Moreira Lima e a cantora Emilinha Borba.
E o Sete de Abril?
Até novembro, a empresa vencedora do processo de licitação da segunda etapa de restauração do Theatro Sete de Abril, a Sole Associados - empresa especializada em projetos de espaços culturais - deve finalizar os planos cênicos e de compatibilização arquitetônica do prédio. Orçada em R$ 191 mil, esta fase é a última antes do início das obras finais de restauro que preveem climatização, luminotecnia, recuperação do piso e da infraestrutura interna, dentre outras melhorias. Assim que o projeto for entregue, a licitação para execução das obras deve ser publicada.
Estas devem iniciar no primeiro trimestre de 2015 e receberão R$ 5 milhões do PAC Cidades Históricas. Inaugurado em 2 de dezembro de 1833, o Sete de Abril foi o primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e é um dos mais antigos no Brasil. Tombado como patrimônio histórico nacional, o prédio foi interditado em 15 de março de 2010 por ordem do Ministério Público Federal, após laudo técnico apontando comprometimento estrutural. Desde então, a população pelotense aguarda a reabertura da casa de espetáculos,
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L I N K S
- O que era ir ao cinema nas décadas de 50... e 20:

http://paulofranke.blogspot.fi/2006/09/pelos-caminhos-pitorescos-do-cinema.html


- Do estudio à porta de nossa casa, fotos de artistas de Hollywood:

http://paulofranke.blogspot.fi/2006/07/as-fotos-de-nossos-artistas-favoritos_16.html


- Quando encontrei Victória Chaplin e conversamos sobre seu famoso pai, do qual o meu pai era fã e morreu no mesmo ano, 1977:

http://paulofranke.blogspot.fi/2006/07/ele-era-importante.html


- Visitando Vevey, na Suíca, o último lar de Chaplin, e sua sepultura:

http://paulofranke.blogspot.fi/2008/07/de-trem-pela-europa-7-vevey-suca.html


- A entrega do Oscar 2014... artistas que morreram... incluindo a história dos primórdios do cinema:

http://paulofranke.blogspot.fi/2014/03/spotlight-no-cinema-antigo.html


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Em breve:

Turnê pelos locais da infância de Charles Chaplin, inclusive à casa onde nasceu, na visita que farei a Londres nos próximos dias
 (a ser mostrada neste blog em fotos no mês de outubro,
se Deus quiser).
Aguarde.

21 agosto, 2014

FÓSFOROS... de Hans.C. ANDERSEN, John WALKER e de William BOOTH


AAsAs histórias de Hans Christian Andersen incendiavam a nossa imaginação infantil. Uma delas, a trágica da menina que vendia fósforos no rigor do inverno. Quando eu era "guri", assisti ao filme "Hans Christian Andersen" no cinema do bairro, e quando ele, interpretado pelo notável Danny Kaye, começava a contar suas histórias para as crianças que o rodeavam, a história tornava-se lindo desenho animado (o que não corresponde ao DVD atual).


Herdei as revistinhas "Cinemin" de minha saudosa irmã mais velha. Na história - que pode ser conhecida pelo link abaixo -  aparentemente triste, na imaginação de Hans Christian Andersen, tem um final feliz.

A caixinha de fósforos com a figura do dinamarquês contador de histórias e seu autógrafo, adquiri quando visitei sua terra natal, Odense (veja também link abaixo).

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Outra história do passado do Exército de Salvação tem sua semelhança se pensarmos que pessoas morriam... mas, espere, tem também um final feliz.


Transcrevo abaixo, do The War Cry da Inglaterra, o artigo que publiquei no "Brado de Guerra - contra todo o mal" de outubro de 1996.

O químico John Walker usou uma vareta para misturar explosivos em uma experiência caseira. Quando a vareta raspou na terra, pegou fogo. Desde essa descoberta acidental, em 1827, o químico começou a fabricar os primeiros fósforos do mundo e vendia-os em sua loja em Stockton-on-Tess.

No início os fazia de tiras de papelão, porém mais tarde contratou um senhor idoso de uma marcenaria local para cortar madeira macia em palitos de 7 centímetros. Quando o senhor faleceu, os meninos da escola continuaram o seu trabalho. Walker pagava aos meninos 6 centavos por 1.000 fósforos e vendia 100 por 5 centavos.

John Walker também inventou  a primeira caixa de fósforos. Era feita de lata e continha uma tira de papel coberta com vidro em pó para se acender os fósforos. Walter chamava seus fósforos de luzes de fricção, mas na cidade ficaram conhecidos como "bombinhas Walter".

Walter, porém, não patenteou a sua invenção e, dois anos mais tarde, um londrino, Samuel Jones, usou a idéia para fabricar os seus próprios fósforos aos quais chamou de Lucifers, nome que permaneceu por quase 100 anos. O nome de John Walker foi esquecido após a sua morte em 1859, até que um lojista achou um de seus antigos livros registrando as primeiras vendas das luzes de fricção de Walker, concedendo ao químico o reconhecimento que merecia.  

No final de 1880, no entanto, as condições dos operários nas fábricas de fósforos e em casa eram deploráveis. Não somente os operários eram mal pagos como também sofriam com o contato com o fósforo amarelo usado para guarnecer os palitos. Necrose ou "queixo de fósforo" atacava os ossos da face causando o seu apodrecimento, criando desfiguração e resultando invariavelmente em morte.

Para combater essas práticas, William Booth, fundador do Exército de Salvação, criou uma fábrica de fósforos própria, bem arejada e iluminada. Os fósforos de Booth foram do tipo seguro - recebiam cabeça de fósforo vermelho inofensivo. Ele também pagava aos seus operários um salário justo. Ao final de 10 anos de campanha, a indústria do fósforo foi obrigada a deixar de usar fósforo amarelo, os proprietários  das fábricas maiores foram compelidos pela opinião pública a mudar os seus métodos de produção de fósforos e um Ato do Parlamento, aprovado em 1908, tornou ilegal fabricar ou vender fósforos contendo o tipo usado anteriormente. A fábrica do Exército fechou... com a missão cumprida.




O feito do Fundador consta no seu livro "Na mais escura Inglaterra", e uma caixinha de fósforos lembra o episódio que salvou tantas vidas.



Extraída do Facebook, a sugestiva imagem dá outra lição espiritual, não menos importante.


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L i n k s

A história de Andersen sobre a menina que vendia fósforos:


http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=23



Visita que fiz a ODENSE, onde nasceu H.C.Andersen:


http://paulofranke.blogspot.fi/2008/11/hans-christian-andersen-e-o-ator-danny.html



19 agosto, 2014

SAINT-EXUPÉRY - O pequeno príncipe - visitou PELOTAS-RS.




"Pouca gente sabe e muitos até se esqueceram, mas há mais de cinquenta anos Pelotas-RS foi visitada, em diversas oportunidades, pelo `Pequeno Prícipe´. É claro que estamos nos referindo ao francês Antoine Marie Roger de Saint-Exupéry, mundialmente famoso como piloto e escritor, que nesta última atividade trouxe ao mundo o  `Pequeno Príncipe´, hoje traduzido para dezenas de idiomas.

Filho do conde Jean de Saint-Exupéry e Marie de Fonscolombe, ele nasceu em 1900, na cidade de Lyon. Aos 12 anos, fez seu primeiro voo num balão, apaixonando-se então pelas aventuras aéreas. Aos 21 anos começou a trabalhar como piloto civil e, a partir dos 26, integrou-se ao grupo de pilotos pioneiros do correio aéreo entre Europa, África e América Latina, que conduziam aviões de hélice, sem conforto ou pressurização.

É nesta situação que Antoine de Saint-Exupéry chegaria a Pelotas, numa madrugada de domingo, às 4 horas, em fevereiro de 1935. Tido como um dos mais competentes e seguros pilotos da linha da Air France, o  `Pequeno Príncipe´ chegou pilotando um avião modelo Breguet 393, denominado `Gaivota´. Era a primeira viagem deste modelo que vinha substituir os antigos `Latés´, aviões de menor velocidade. Nesta viagem inaugural, Saint-Exupéry fez a viagem Buenos Aires-Natal em 25 horas, onde era feita a conexão para a África com o hidroavião `Santos Dumont´. Nesta época a Air France fazia a linha Tolouse(França)-Dakar (África)-Natal-Pelotas, em cerca de 59 horas.

Durante muito tempo, pelo menos até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o piloto-escritor cruzou os céus latino-americanos, detendo-se em Pelotas em diversas ocasiões. `Antes de escrever é preciso viver'  dizia ele, que a 31 de julho de 1944, numa missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy, teria sido abatido por um caça alemão. Os restos de seu avião nunca foram encontrados e ele foi dado como desaparecido em ação.

Sua obra, entretanto, permanece entre os homens: Correio Sul, Voo Noturno, Terra dos Homens, Escritos de Guerra, Um Sentido para a Vida e, é claro, O Pequeno Príncipe, sua obra maior."

Pedro Caldas
Pesquisador
extraído de "Pelotas Memória"
fascículo V - 1990



17 agosto, 2014

Lembrando ELIS REGINA... grande voz que emudeceu.





Eu estava na Austrália quando Elis Regina morreu, em 1982, e fazia um curso de técnicas editoriais no respectivo departamento do The Salvation Army, em Melbourne. Quando voltei, fiquei sabendo do que acontecera com aquela que eu chamava de "a gaúcha de voz mais bonita". 






  Iniciando a preparar o jornal salvacionista "Brado de Guerra - contra todo o mal", e querendo dar-lhe um toque bem atual, pedi à saudosa colega Antonieta B. Valente, comigo na foto de 1967, que escrevesse um artigo enfocando Elis Regina. Ela prontamente o fez - com palavras firmes mas também cheias de ternura - e publiquei no exemplar 09/82. 

Clique no texto para ampliá-lo:




L i n k:


"Águas de Março", em hebraico, idioma ressuscitado juntamente com a nação de Israel:

https://www.youtube.com/watch?v=JDFYi_UYsKg


16 agosto, 2014

Seis décadas de DISNEYLÄNDIA (eu me lembro bem...)

Buscando um tema para esta nova postagem, a comemoração das seis décadas da Disneylândia brilhou como em um holofote - injetando luz no passado - quando li a respeito. "Vou escrever sobre isto" - pensei - "e assim estarei desviando um pouco de assuntos 'pesados' que têm marcado o mês de agosto, um deles o suicídio de Robin Williams, que pegou as pessoas de surpresa, a última postagem deste blog..."


Pelo que entendo, este foi o primeiro número da revistinha  "O Pato Donald", lançado em julho de 1950 no Brasil.

Comecei a colecioná-la, número por número, uns quatro anos depois, quando, se não me falha a memória, era semanal. 

Então naquele dia, em 1955 - eu tinha 12 anos - abri a minha recém-chegada "O Pato Donald" e, na página do meio, li a respeito do lançamento de um concurso para ir à recém-inaugurada DISNEYLÂNDIA. Já imaginando-me o vencedor, fui a uma loja comprar um brinquedo da "Estrela" - o mais barato que achei - e então recortei o logo da caixa, preenchi o cupom e enviei-os pelos correios ao endereço indicado, tudo numa sentada só.


A espera foi angustiosa, até que um dia chegou o exemplar que anunciava o vencedor, um menino da minha idade, de São Paulo, chamado Adalberto. Os números seguintes da revistinha mostravam-no na "Disney", divertindo-se com tudo aquilo que fazia parte do meu sonho de menino. Inveja? Acho que sim, mas com o pensamento de que um dia eu iria realizar o meu sonho de ir à Disneylândia em Los Angeles... por que não?
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O meu sonho-de-menino cumpriu-se, sim, mas com algumas modificações... fui primeiro à DisneyWorld, na Flórida, o segundo parque, em 1977, com a mulher e nossas duas filhinhas, e a segunda vez em 1985, com a família acrescida de um menino, quando Anneli e eu fomos trabalhar nos Estados Unidos, o Território a que pertencia como oficial (foto).  


Mas aquele "sonho-de-menino" finalmente cumpriu-se quando, no meu caminho para a Austrália, passei por Los Angeles, isto em 1982. Fiz questão de que meu colega que me hospedava me deixasse à entrada do parque, o que de boa vontade fez.
 Lá estava eu, então, na Disneylândia, percorrendo as ruas do meu sonho-de-menino, andando em alguns brinquedos do meu sonho-de-menino, admirando ao vivo tudo o que fazia parte daquele sonho-de-menino...

Mas... eu estava acompanhado, sim, de uma saudade inesperada, que quase me estraga o tão esperado e bem lembrado dia da "realização do meu sonho-de-menino". Saudade, naquele lugar, não da minha infância e de suas fantasias, mas de meus três filhinhos. Eu não era mais o menino-do-sonho, mas um pai de três crianças que amariam estar ali comigo e que eu não veria por quase três longos meses na distante Austrália. 

Para "sacudir de mim" aquela saudade-tristeza que se apegara à minha pele, lembro-me, fui à montanha-russa-do-espaço e mesmo assim todas aquelas sacudidelas não adiantaram muito para que se desapegasse de mim. 

Gratidão a Deus houve, sim, porque o sonho ainda que tardio fora realizado, o que muitas vezes acontece nas nossas vidas e nem nos damos conta.



Poderia mostrar muitas fotos extraídas de antigos slides, mas registro somente o sonho-de-menino, a princípio frustrado, depois mais do que cumprido por ter ido ao segundo parque Disney duas vezes e ainda a um terceiro, a DisneyParis, agora com meu neto (imaginem, aquele menino desapontado por não ter vencido o concurso, hoje tem 7 netos e todos já têm ido aos parques da Disney!!). 

 Ö

Veja as fotos da visita com o meu neto mais velho no link abaixo. 

http://paulofranke.blogspot.fi/2010/06/7-em-paris-disneyland-resort-paris.html

- As fotos da Disneylândia que originaram esta 
postagem-light:

14 agosto, 2014

Morre ROBIN WILLIAMS aos 63 anos...



1951 - 2014

No consultório médico


É uma perfeita ilusão imaginar que certas pessoas que passam a vida a soltar gargalhadas e a divertir os outros gozam de uma alegria perfeita. Risadas altas e piadas são muitas vezes o invólucro que esconde a tristeza que devora os corações de muitas delas.


Certo homem foi consultar-se com um médico. Queixou-se de uma melancolia por tal forma angustiosa que sua vida ia-se tornando rapidamente insuportável.


O médico examinou-o cuidadosamente e concluiu que não tinha enfermidade nenhuma e de nada precisava senão de algum divertimento.


"Leia qualquer livro de histórias engraçadas". Será que esse não seria uma forma de melhorar?" O homem sacudiu a cabeça negativamente como que pondo em dúvida a receita do médico. "Bem, então vou dar-lhe outra receita: vá a tal teatro que verá que sua tristeza desaparecerá com o que assistir!" Outra negativa da parte do homem, que parecia já ter experimentado tudo o que o médico lhe sugeria.


"Nesse caso," disse-lhe por fim o médico, "resta um só meio que poderá ajudá-lo a livrar-se dessa melancolia. Se falhar, fico com meus recursos esgotados. Mas não há de falhar, tenho certeza."


- "Que meio será esse, doutor?"


"Vá ouvir e ver o notável palhaço que chegou há dias com o circo e que está atraindo multidões. Você há de sair do circo completamente curado!"

 "Ah! doutor!" exclamou o pobre homem com sua voz cheia de angústia, 
"aquele palhaço sou eu!"

(autor desconhecido)


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Quando soube da morte de Robin Williams, lembrei-me de publicar a meditação abaixo, da autoria de minha esposa Anneli, do livro que escrevemos, indicado abaixo:



Leia outras meditações do livro agora online:

www.paulofranke-edificacaodiária.blogspot.com


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L I N K

 Michael Jackson... James Dean... Natalie Wood

13 agosto, 2014

Morre LAUREN BACALL... quem se lembra dela?






Lauren Bacall e seus três filhos (Facebook).

Bacall was born Betty Persky to Jewish parents in New York City. Her mother was Romanian and her father's parents were born in Poland.

She was a first cousin to Shimon Peres, the ninth President of Israel. 


Lauren, cujo verdadeiro nome era Betty Persky, teve pais judeus en Nova York. Sua mãe era rumena e os seus avós paternos nascidos na Polônia.

Era prima em primeiro grau de Shimon Peres, o nono Presidente de Israel.

Fonte: 
Grandchildren of Holocaust Survivors  ( Grupo do Facebook)

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L I N K:

"DOS ESTÚDIOS DE HOLLYWOOD À PORTA DE NOSSA CASA"

11 agosto, 2014

Família DA COSTA (Salles) MEDEIROS... de minha Mãe.

Tendo publicado uma matéria sobre meus antecedentes paternos, chegou a vez de fazê-lo com relação à família de minha saudosa mãe, Ida Salles Medeiros (Franke). Este, no entanto, não é um tratado genealógico isento de engano, talvez, pois as informações foram prestadas por parentes a maioria já falecida. É antes  uma recordação de parentes do lado materno que nos deixaram e, com eles, muita saudade, naturalmente dos que conheci.





O patriarca Laudelino da Costa Medeiros, sua esposa Auta da Costa Medeiros e seus filhos, dos quais cheguei a conhecer Izaura (Chininha) e Mario, o caçula, no ano de 1977, quando vivemos em Porto Alegre.


Alguns membros da família possuem o "livrinho" que ele escreveu em junho de 1936 contando a saga da família. Sou um dos privilegiados que o possuem.



Não sei até que ponto é confiável, mas o escudo da família é o acima.


Em 2001, já residindo na Finlândia, terra de minha esposa, visitei as Ilhas dos Açores (link abaixo). Certo dia, na cidade de Ponta Delgada, tomei a lista telefônica da Ilha de São Miguel e fiz cópia das três páginas inteiras do sobrenome  Medeiros. Considerando que é uma ilha pequena, é algo surpreendente! Mas na genealogia da família há uma pequena menção lançando luz a que tenham vindo dos Açores ou/e da ilha da Madeira, pelo menos alguns membros. O nome também é comum em uma região de Portugal.
O sobrenome Da Costa também consta na relação de cristãos novos, judeus sefarditas fugidos da inquisição, nada provado ser o nosso Da Costa, mas...


Meu bisavô, Laudelino  da Costa Medeiros, nasceu em 21.11.1849, em Herval-RS, na Estância do Cerro do Bahú.  Seu livrinho, escrito em 1936, prova que tinha 87 anos quando "pegou na pena":
 "Minha mãe deixou aos filhos regular herança em campo, gado e escravos, porém a sorte foi ingrata comnosco... eu não em extravagância, porém em reveses de negócios, perdi totalmente meus haveres." (pag. 6)

"Minha irmã Adelina e eu fomos pela natureza dotados de ânimo e resignação. Ella foi para Pelotas, viuvou, porém soube encaminhar seus filhos pelo caminho reto do dever e da honra e são hoje umas pessoas de préstimo, brio e vergonha" (pag 6).



"Adelina casou-se com nosso parente João Salles, muito bom moço e também em boa posição pecuraria, porém, com a revolução de 93, seu prejuiso foi quasi total" (pag.6).

Nota:

Há um histórico de parente casando-se com parente, algo bem comum no passado... Por exemplo: meu avô Pradelino (primeira foto) casou-se com sua prima, Maria Auta, filha da tia dele, Adelina.  Essa ocorrência fazia com que as riquezas fossem conservadas "dentro da família", porém o que se constata pelo livrinho honesto do bisavô Laudelino, é que "as riquezas tomaram asas e voaram..."

Ficaram como "herança" ou marca registrada da família as sobrancelhas retas - espessa nos homens - até a presente geração, pelo menos no meu lado da família, o que o leitor poderá constatar em quase todas as fotos publicadas.

Parte da história da família tem sido publicada no livro "A História do Herval", de Manoel da Costa Medeiros.



Agradeco à parente Idala Domingues Matte pelas Necrologias aqui constantes.
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Meus avós Pradelino e Maria Auta, novamente: ela filha da bisavó Adelina, irmã do bisavô Laudelino. 


A triste necrologia de minha avó, Maria Auta Salles de Medeiros, que faleceu jovem e deixou minha mãe com 5 anos... Abaixo, seus filhos já mocos. 


 Sylla Salles Medeiros (casada com Aulino Medeiros), minha madrinha.


 Plínio Salles Medeiros (casado com Emma Berg)
Ver postagem recente "Tia Emma, a primeira mulher a trabalhar no Banco do Brasil no Brasil" (link abaixo)


Minha mãe, Ida Salles Medeiros (casada com Darcy Franke)
(link abaixo)



Lacy Salles Medeiros (casada com Adolpho Wohlfeil)


Representando seu pai, tio João Salles Medeiros - cuja foto está sendo procurada - casado com Judith Muller, o primo Delvair.
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 Adelina, avó de minha mãe, bisavó materna que chamávamos carinhosamente de "Vozinha" e que morava em Pelotas, na Av. Bento Gonçalves, no mesmo quarteirão que nossa família, na década de 50. Vozinha faleceu com 105 anos, em Pelotas, no ano de 1955.



Lembro-me da festa de 100 anos da "vozinha", na foto cortando o bolo, rodeada por seus filhos vivos e noras. Logo acima dela, minha tia-avó Lydia Franke Salles, que se casou com um dos filhos viúvos de Adelina, Marcionilo. Centenária, amada pela família, era também preservada de saber do falecimento dos filhos quando ocorria, algo que sempre considerei triste, mesmo como menino. Conheci cada um da foto.




"Avós" Arthur e Ernestina Ávila com os filhos Nere, Nede, Newton e, o mais velho, tio Ney (sentado). Por que a este chamávamos tio? Porque se casou com uma irmã de meu pai, tia Dalva, que neste ano, em dezembro, completará 100 anos. Embora não os tratássemos por tios, sempre os consideramos, e as seus filhos primos.


A festa de casamento de meus pais, em janeiro de 1936, foi realizada na grande casa ajardinada dos seus tios, em Pelotas, na rua Marcílio Dias.


 Aqui, eles no primeiro ano de casados.


E mencionando casamento, minha mãe, à direita, com suas irmãs na festa de casamento de um de meus irmãos, no início da década de 80.


Na mesma ocasião, primos se reuniram. Sentados, primos Ávilas: Arthur José, Adriene, Paulo e Clarisse (as duas do meio esposas), sendo que a prima Clarisse, sentada à direita, filha dos tios Ney e Dalva, também leva o nome Franke por parte de mãe (é uma prima "dos dois lados"!). 
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Em pé, à esquerda, o saudoso primo Fernando Medeiros Wohlfeil e sua esposa Sandra.  E aqui expresso o meu agradecimento, pela maioria das fotos, à Sandra, nora da tia Lacy, e ao seu filho, que até hoje chamamos Fernandinho, que as escaneou.
Uma vez que as mesmas fotos de minha mãe haviam sido perdidas  - por ocasião de uma mudança de um apartamento para outro - Sandra forneceu-me recentemente as mesmas, visando e possibilitando esta postagem. Atitude muito nobre, pois guardou com carinho as fotos de sua sogra, Lacy, já falecida, mesmo sem ter conhecido a maioria dos parentes dela.

Esta foto tem um significado especial... é a da bisavó Adelina tendo ao colo o Fernando bebê... ela faleceu com 105 anos e ele, no início dos anos 2000, com somente 54 anos.

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Eu, minha esposa Anneli e filhos Deborah, a mais velha, à direita,  Aaron, o caçula, e Martta, a do meio, em foto da visita que o filho nos fez, vindo do Brasil, no início dos anos 2000, quando toda a família já estava morando na Finlândia (ele ainda é o único que não).



Ainda que eu tenha o sangue alemão do Franke, e minha filha o finlandês, Hämäläinen, nossos traços fisionômicos, principalmente as sobrancelhas  - e os olhos verdes da vó Ida - vêm de longe, do bisavô Laudelino da Costa Medeiros!

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Outros parentes de Laudelino da Costa Medeiros.



Minha mãe guardava e me presenteou o antigo jornal, quase se esfarelando, com um artigo de um parente seu, Astrogildo Pereira da Costa, o Barão de Aceguá.



Felizmente, uma sobrinha, filha de uma irmã minha que faleceu há exatamente um ano, trabalha na Bibliotheca Pública de Pelotas e forneceu-me uma cópia do mesmo jornal "A Tribuna", de 19 de janeiro de 1913, do acervo da biblioteca. Ampliando o documento, poderá facilmente ser lido.

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L i n k s

O centenário de meus saudosos pais, em 1913 e 2014, respectivamente:

http://paulofranke.blogspot.fi/2014/06/minha-mae-ida-medeiros-da-costasalles.html

http://www.paulofranke.blogspot.fi/2013/07/meu-pai-hoje-faria-100-anos-dia-dos.html

Tia Emma Berg Medeiros, a 1a mulher a trabalhar no Banco do Brasil no Brasil:

http://paulofranke.blogspot.fi/2014/07/tia-emma-berg-medeiros-1a-mulher.html

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